terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Indagações sobre a “comunidade internacional” e a “ameaça” do Irã.

Na grande mídia, noticiam-se constantemente as “preocupações” da “comunidade internacional” com respeito ao programa nuclear do Irã, que agora cometeu o “terrível crime” de dar um novo salto em sua capacidade de enriquecimento de urânio. A dita “comunidade internacional” (leia-se EUA e seus cupinchas) diz temer que o Irã esteja “próximo” de fabricar bombas atômicas. Cinismo sobre cinismo. A nova usina de enriquecimento do Irã tem capacidade de enriquecer o urânio em 20%, enquanto para produzir uma bomba atômica, é preciso de um enriquecimento de mais de 95%. Trata-se de um salto tecnológico de tal envergadura que necessita muito mais do que apenas vontade de se alcançá-lo, se é que tal vontade existe.

Por que a grande mídia se esquece de mencionar que o governo de Israel, grande inimigo do Irã, já tem há muito a bomba atômica? O desprezo israelense pela vida do “inimigo” – fartamente demonstrado pelos massacres na Faixa de Gaza e pelas décadas de opressão ao povo palestino – faz do agressivo Estado sionista um perigo muito maior para a paz mundial do que o Irã. Por que essa “comunidade internacional” de um só país não demonstra essa mesma “preocupação” para com o programa nuclear israelense? Que moral os EUA, único país da História que foi covarde e monstruoso a ponto de usar a bomba atômica de verdade (exterminando as populações civis de Hiroshima e Nagasaki), tem para falar do “perigo” da “proliferação nuclear”? Seria o medo paranóico do Império de provar um dia do seu próprio veneno? Ou seria parte da obsessão também paranóica das elites do Império em viver procurando "inimigos do país", para que seu povo não perceba que “os inimigos” sempre foram na verdade seus próprios líderes? E qual o interesse da grande mídia nacional em ficar sempre a favor do Império nas disputas deste com seus inimigos? Nossas elites não conseguem mesmo deixar de lado seus velhos hábitos de servilismo ao “amigo do norte”... Isso ajuda a fornecer uma definição mais precisa do conceito de “ocidente” ou “comunidade internacional”: são as elites desses países, ligadas econômica e ideologicamente ao Império, e nunca seus povos, a tal “comunidade internacional” dos jornalões e das agências de notícias-enlatadas.

4 comentários:

Saturnino Estrada disse...

É isso aí...
Iniciativa louvável para contrabalancear a intoxicação linguísca da mídia de massa.

AF STURT disse...

Esse artigo prova que a revolução socialista brasileira é contra o imperialismo e contra a burguesia nacional.

AF STURT disse...

Sobre o Irã o artigo foi bem claro.
Não é o Irã que é um perigo para humanidade e sim aqueles que os acusam...

Stefano disse...

pior ke EUA são midias lacaias dele.. como Folha,Globo,Veja etc.