terça-feira, 30 de agosto de 2022

Sobre a morte de Mikhail Gorbatchov

Neste dia 30 de agosto anunciou-se ao mundo a morte do último líder da União Soviética,Mikhail Gorbatchov.

Enfim morreu aquele cujas medidas levaram à maior onda de retrocessos sociais da história, com aumento brutal na pobreza, desigualdade e mortalidade em todo o leste europeu. Aquele cujas ações deixaram o mundo (incluindo o Brasil) sem alternativa à ordem capitalista global, colocando-o à mercê do “consenso” neoliberal que, nos anos seguintes, destruiria direitos dos trabalhadores e economias nacionais numa escala sem precedentes. Aquele que levou o leste europeu a uma espiral de divisão e conflitos que se reflete até hoje, por exemplo, na guerra na Ucrânia. Aquele que foi líder do principal partido comunista do mundo sem (nas suas próprias palavras) nunca ter sido comunista. Aquele que, após fazer o que fez, não conseguiu sequer fundar seu próprio partido, de tão grato o povo russo ficou por ter sido “libertado” por ele. Seu lugar é o lixo da História.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Os porquês da greve dos caminhoneiros

A greve dos caminhoneiros que já afeta o Brasil há três dias é reflexo direto da política neoliberal de preços dos combustíveis aplicada pelo governo federal, que repassa a nós de imediato qualquer aumento nos preços internacionais. Por conta disso, os combustíveis já acumulam alta de quase 20% desde que Temer assumiu a presidência. Assim, pergunta-se:

Por que o governo não usa a posição de quase auto-suficiência nacional proporcionada pela Petrobrás pra "segurar" os preços dos combustíveis? Porque esse governo já disse que que não quer controle do Estado neste setor estratégico, quer que sejamos reféns do mercado! 

Por que o governo não usa os recursos do Fundo Soberano ("poupança" mantida pelos lucros do petróleo) para segurar o preço dos combustíveis? Porque o governo decidiu ontem mesmo extinguir o fundo, usando seu saldo bilionário para pagar os juros da impagável dívida pública!

Por que os liberais, que querem redução dos impostos, pedem que essa redução seja feita da pior maneira, "reformando" a previdência, privatizando o pouco que restou do nosso patrimônio, cortando ainda mais direitos? Por que não defendem que a redução de impostos se dê através de cortes no pagamento da "dívida" pública (o famoso bolsa-banqueiro) ou nas desonerações e subsídios bilionários que os grandes empresários recebem do governo? Por que não defendem que a redução de impostos se dê com os ricos pagando mais e os pobres menos? Porque os liberais do MBL, do PSDB, DEM, do "Novo", os bolsominions, grandes empresários e esse governo corrupto são os grandes inimigos do povo brasileiro.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

DIA 30 DE JUNHO, GREVE GERAL PARA BARRAR OS ATAQUES DO GRANDE CAPITAL



É CHEGADO O DIA DO TRABALHADOR BRASILEIRO IR NOVAMENTE ÀS RUAS EM GREVE GERAL, EM DEFESA DA NOSSA APOSENTADORIA E DE NOSSOS DIREITOS TRABALHISTAS AMEAÇADOS PELO CONGRESSO DE CORRUPTOS E PELO ILEGÍTIMO GOVERNO TEMER. MOMENTO DECISIVO NA LUTA DOS TRABALHADORES, UMA VEZ QUE AS CONTRA-REFORMAS QUE PRETENDEM NOS FAZER RETROCEDER CEM ANOS EM NOSSOS DIREITOS DEVEM SER VOTADAS NO CONGRESSO NAS PRÓXIMAS SEMANAS.

MAS É PRECISO SE PERGUNTAR: DE ONDE VÊM TODOS ESSES ATAQUES AOS NOSSOS DIREITOS? SABE-SE QUE O TAL ROMBO OU DÉFCIT NA PREVIDÊNCIA NÃO EXISTE, POIS TRILHÕES DE REAIS DA PREVIDÊNCIA SÃO DESVIADOS TODO ANO PRA PAGAR OS JUROS DA DÍVIDA, O CHAMADO BOLSA BANQUEIRO. AGORA, POR QUE OS POLÍTICOS MENTEM TÃO DESCARADAMENTE AO DIZER QUE EXISTIRIA ESSE ROMBO NA PREVIDÊNCIA? PARA QUE OS BANQUEIROS, QUE FINANCIARAM SUAS CAMPANHAS ELEITORAIS, POSSAM LUCRAR VENDENDO PLANOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. E POR QUE OS POLÍTICOS TANTO QUEREM, NAS SUAS PALAVRAS, "REFORMAR" A LEGISLAÇÃO TRABALHISTA? PORQUE QUEREM QUE OS GRANDES EMPRESÁRIOS, QUE FINANCIARAM SUAS CAMPANHAS, POSSAM AUMENTAR SEUS LUCROS ATRAVÉS DO AUMENTO DA EXPLORAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA. E POR QUE OS CAPITALISTAS QUEREM DESESPERADAMENTE AUMENTAR SEUS LUCROS, JUSTAMENTE AGORA? POR QUE QUEREM SUPERAR A CRISE QUE ELES MESMOS CRIARAM AO SUGAR CENTENAS DE BILHÕES DE REAIS DO ORÇAMENTO PÚBLICO EM SUBSÍDIOS, EMPRÉSTIMOS SEM JUROS DO BNDES, E DE BENESSES DE TODO TIPO AO LONGO DOS ÚLTIMOS DEZ, QUINZE ANOS. ESTA É A VERDADEIRA CORRUPÇÃO QUE QUEBROU O ESTADO BRASILEIRO, A CORRUPÇÃO LEGALIZADA DOS GRANDES CAPITALISTAS. POR ISSO MESMO, ESTA CRISE QUE VIVEMOS VEM DO FRACASSO DO MODELO DE CONCILIAÇÃO DE CLASSES QUE OS ÚLTIMOS GOVERNOS TENTARAM IMPOR. QUANDO SE QUER COM UMA MÃO DAR PEQUENAS COMPENSAÇÕES AO POVO, E COM A OUTRA MÃO LUCROS BILIONÁRIOS AOS GRANDES EMPRESÁRIOS, NÃO HÁ CAIXA QUE AGUENTE. POR ISSO TUDO, A SOLUÇÃO PRO TRABALHADOR NÃO PAGAR A CONTA DESTA CRISE NÃO PASSA PELA CONSTRUÇÃO DE UM NOVO PROJETO ELEITORAL DE CONCILIAÇÃO DE CLASSES PARA 2018. PASSA, ISSO SIM, POR AQUILO QUE MILHARES DE TRABALHADORES ESTÃO FAZENDO HOJE EM TODO O BRASIL: PASSA PELO POVO NA RUA, MOSTRANDO QUE NÃO ACEITARÁ QUE NOSSOS DIREITOS SEJAM TROCADOS PELA CRISE DELES.

POR FIM, VOCÊ, TRABALHADOR EXPLORADO, QUE NÃO PODE ADERIR A ESTA GREVE NACIONAL SOB RISCO DE PERDER SEU EMPREGO, SAIBA QUE VOCÊ TAMBÉM PODE CONTRIBUIR PARA ESTA LUTA. É MUITO FÁCIL SOMAR-SE A ESTA CAUSA. NÃO COMPRE HOJE NAS LOJAS, NÃO VÁ HOJE AO SUPERMERCADO, NÃO ABASTEÇA SEU CARRO HOJE. NÃO VÁ AO BANCO NEM PAGUE CONTAS HOJE. RESUMINDO, NÃO GASTE SEU DINHEIRO HOJE. NÃO GASTE SEU DINHEIRO HOJE, BOICOTE GERAL. É SOMENTE ASSIM, FAZENDO SENTIR NO BOLSO DO CAPITALISTA, QUE NÓS TRABALHADORES SEREMOS OUVIDOS.

sábado, 26 de novembro de 2016

A História já o absolveu


O dia 26 de julho de 1953 marcou a entrada definitiva no cenário político do homem que se tornaria uma das figuras mais impressionantes da história moderna. Liderando uma centena de rebeldes no assalto ao quartel de Moncada, em Cuba, o jovem advogado Fidel Castro Ruz, até então um promissor e atuante líder estudantil, foi feito prisioneiro da tirania que buscava derrubar. Seu país era então governado pela corrupta e autoritária ditadura de Fulgencio Batista que, apoiado pelos Estados Unidos, consolidara Cuba como mera colônia do gigante do norte, quintal dos grandes capitalistas e da máfia estadunidense que, às custas da completa miséria da grande maioria do povo, converteram a ilha no "prostíbulo do caribe". A severa repressão da tirania batistiana contra qualquer foco de descontentamento não deixava outro caminho a jovens com sede de justiça social senão o da luta armada. E foi assim que, contando com apenas 27 anos, Fidel se viu diante da tarefa de fazer sua própria defesa perante o tribunal da ditadura, no qual defendeu de forma contundente o direito dos povos à rebelião contra a injustiça. O discurso seria mais tarde transcrito em um livro, que receberia o título da frase final de sua defesa: "a História me absolverá".

Com sua desaparição física ocorrida nesta sexta 25, chega o momento de se fazer o balanço da vida do revolucionário e estadista cubano. E a História tem certamente muito a falar a seu respeito.

Solto da prisão após a insurreição fracassada, Fidel exilou-se no México de onde, junto com Che Guevara, Raúl Castro e Camilo Cienfuegos, organizou nova incursão militar rumo a Cuba em dezembro de 1956. Viajando no iate Granma os 82 combatentes foram, porém, surpreendidos pelas forças da ditadura logo no desembarque em Cuba, sendo quase todos mortos. Ainda assim, as forças rebeldes lograram se reagrupar nas florestas de sierra maestra, no oriente da ilha, de onde os "barbudos" lançaram uma guerra de guerrilhas contra o regime Batista. O enorme prestígio político de Fidel, já bastante conhecido pelo povo cubano, provou ser a grande arma dos guerrilheiros para aglutinar o apoio de camponeses, operários e da população em geral de forma a rapidamente tomar conta do país. Em 1° de janeiro de 1959, ante a fuga do ditador Batista para a República Dominicana, Fidel lidera a entrada triunfal das forças rebeldes em Havana. Mas a Revolução Cubana, principal acontecimento histórico da América Latina no século vinte, estava apenas começando.

Nomeado Primeiro-Ministro do governo revolucionário, Fidel logo mostrou que não pretendia ser outro caudilho populista latino-americano. Sustentado por um suporte popular esmagador, começou a realizar transformações de fundo em Cuba que puseram a jovem revolução em rota de colisão com o governo dos Estados Unidos. Movido por seu patriotismo e por um profundo senso de justiça social, Fidel iniciou processo radical de reforma agrária e de nacionalização do grande capital privado estrangeiro, ao que o gigante do norte respondeu com uma hostilidade crescente. O momento exato em que se deu a conversão ideológica do líder cubano, de sua origem política conservadora para o comunismo, ainda é motivo de controvérsia. Fato, porém, é que os anos de luta contra a tirania e o posterior choque dos interesses libertários da revolução com os interesses imperialistas do gigante do norte, em um cenário onde a polarização mundial entre capitalismo e socialismo se encontrava no auge, conduziram rapidamente a revolução cubana e seu líder maior a um processo de radicalização sem precedentes. Tal processo se consolidou simbolicamente em abril de 1960, por ocasião da tentativa de invasão da ilha pelos EUA em Playa Girón, em que Fidel proclamou oficialmente o caráter socialista da Revolução, e sentenciou: "sou marxista-leninista, e o serei até a morte". O fracasso da incursão imperialista acabou se tornando a primeira derrota militar dos Estados Unidos em toda a História do continente.

Liderada por Fidel no rumo do socialismo, a Revolução proporcionaria ao povo cubano nas décadas seguintes avanços sociais e econômicos até hoje inalcançados por nenhuma outra nação latino-americana. Foram erradicados o analfabestismo, a fome e a miséria. A mais profunda reforma agrária de todo o continente acabaria de vez com o latifúndio. Desenvolveram-se sistemas de educação e saúde de acesso universal e gratuito com padrão comparável aos dos países mais desenvolvidos. E a difusão massiva da cultura e da prática esportiva a toda a população acabariam por converter o outrora pequeno e atrasado país num celeiro de grandes artistas e de campeões olímpicos. Tão fenomenais avanços, resultantes da completa expropriação dos capitalistas da ilha, levariam as velhas oligarquias latino-americanas (em aliança com o imperialismo estadunidense) a mergulhar o continente em sangrentas ditaduras empresariais-militares que, no seu desespero por sufocar o exemplo cubano, levariam ao assassinato e ao desaparecimento de milhares de militantes sociais em todo o continente. Levariam, também, a agressões de todo tipo contra Cuba socialista, desde atentados a bomba até o sequestro de crianças e ataques com armas biológicas. A todas essas agressões o povo cubano resistiu, como também Fidel resistiu às mais de 600 tentativas de assassinato movidas contra ele pelos EUA e seus comparsas.

Sob o governo de Fidel, nos polarizados anos da Guerra Fria, Cuba tornou-se ponta de lança da luta anti-imperialista internacional. Sua atuação no movimento dos países não alinhados e a intervenção militar cubana na África mostraram-se decisivos na derrota do colonialismo e do apartheid na África do Sul, feito reconhecido por Nelson Mandela, que chamou Fidel de "irmão de luta". Também mostrou-se decisivo o apoio de Fidel à consolidação da revolução sandinista na Nicarágua, convertida no "segundo território livre das Américas".

Mas na virada das décadas de 1980-90 a Revolução Cubana se viu prestes a pagar um preço alto demais por seus erros. Quando a forma de socialismo adotada pela União Soviética e copiada por Cuba, com seu estatismo e burocracia excessivos, desabou subitamente no leste europeu, os cubanos se viram quase que de imediato sozinhos em um mundo hegemonizado pelo capitalismo. O episódio pôs à prova a liderança de Fidel, que sem ceder um milímetro nos seus ideais comunistas, liderou Cuba nos difíceis anos do "período especial", enfrentando a volta da escassez crônica, dos racionamentos e até da fome na ilha. Mais, converteu Cuba em um verdadeiro farol da esperança em um mundo dominado pela barbárie da fase neoliberal do capitalismo. A sempre incansável crítica de Fidel aos desmandos e à irracionalidade do livre mercado capitalista ganhou naqueles anos difíceis contornos de corajosa resistência à imposição selvagem do "consenso de Washington": "Se queremos salvar a humanidade da auto-destruição, é preciso distribuir melhor os recursos e as tecnologias", disse. Sua implacável denúncia às ameaças que o crescimento da desigualdade e da degradação do meio ambiente representavam ao mundo ganhou uma concretude avassaladora durante a Eco-92 no Rio de Janeiro, quando ele anteviu os dois maiores problemas do mundo de hoje com uma só frase: "Pague-se a dívida ecológica, não a dívida externa".

Porém, o exemplo de Fidel foi muito além das palavras. Contra o cerco capitalista e o recrudescimento do bloqueio econômico dos EUA, Cuba apresentou uma arma poderosa: a solidariedade internacionalista. Mesmo com seu país passando por tempos duríssimos, onde quer que houvesse um desastre natural ou epidemia, lá estavam as brigadas de médicos cubanas prestando solidariedade aos povos. Onde a miséria e a insensibilidade de governos omissos não garantia a mínima atenção médica a seus povos, lá estavam as missões cubanas para garantir conquistas como a "operación milagro", que devolveu a visão a milhares de vítimas de problemas oculares em toda a América Latina.

No começo dos anos 2000 Cuba e sua Revolução encontraram novo fôlego econômico e ideológico na Revolução Bolivariana de Hugo Chávez, amigo pessoal de Fidel. Expressando o desejo popular de libertação nacional e de justiça social na Venezuela, Chávez tornou seu país o carro chefe de um processo de mudanças que levou ao poder diversos governos mais ou menos progressistas, ou mesmo de orientação socialista, em todo o continente. O isolamento de Cuba tornara-se coisa do passado. Sufocados por tantos anos, os ventos da mudança enfim começavam a soprar por toda a América, o que ficou simbolizado pela decisão da Organização dos Estados Americanos (OEA) de revogar a suspensão de Cuba, decretada em 1962. Cuba, porém, já sob a presidência de Raul Castro, não aceitou retornar à OEA. Novos organismos internacionais como a ALBA e a UNASUL já tornavam inútil a velha organização criada pelos EUA para controlar o continente, demonstrando claramente que o processo de autodeterminação da América Latina já se tornara irreversível. Até mesmo o bloqueio econômico imposto pelos EUA contra Cuba já entra em processo acelerado de erosão pela força das condições de um mundo novo, que não comporta mais a mesquinhez de velhos hegemonismos. Passado o pior das tempestades de 1989-91, o socialismo cubano se encontra em condições favoráveis para ditar os termos do novo processo de integração internacional que se avizinha.

Mesmo afastado do poder desde 2008, e então com mais de 80 anos de idade, Fidel ainda encontrou forças para articular uma última grande contribuição ao mundo: a mediação do processo de paz entre a guerrilha das FARC e governo colombiano, que anunciaram o acordo de paz definitivo um dia antes de sua desaparição física. Era como se o líder histórico da Revolução Cubana tivesse aguardado o anúncio de mais esta vitória das forças progressistas do mundo para enfim poder descansar em paz.

Fidel agora não está mais entre nós. Deixou como legado um país que, mesmo pobre e ainda submetido a um bloqueio criminoso, é capaz de proporcionar emprego, moradia, alimentação, segurança, cultura e lazer, além de educação e saúde de primeiro mundo, a todos os seus cidadãos sem exceção. Isto fala muito a respeito dos amigos e dos inimigos de Fidel. Explica por que ele foi tão amado por seu povo e tão odiado por alguns, mas sobretudo, explica o que pretendem seus caluniadores, por que jamais conseguiram derrotá-lo e por que jamais derrotarão o ideal socialista. Pois os gigantes não morrem, apenas se tornam imortais. E a História já o absolveu.

HASTA SIEMPRE, COMANDANTE!

sábado, 7 de maio de 2016

Uma crise e suas ilusões

Com o anúncio do afastamento do corrupto Eduardo Cunha pelo STF, os mais ufanistas agora dizem que "valeu a pena" encaminhar a cassação da Dilma, pois "agora sim" todos os corruptos começarão a cair e "enfim o país vai pra frente".

Mas pode mesmo haver uma intenção séria de se combater a corrupção, quando se recorre a um corrupto comprovado (Cunha) para cassar governantes como Dilma, que de comprovado só sua impopularidade? O "combate à corrupção" não passa de uma grosseira encenação quando se decide derrubar o deputado ladrão só depois dele cumprir seu grandioso papel de derrubar a presidente indesejada. Que futuro podem ter "investigações" feitas nessas bases?

Indo além das impressões, qual o saldo de todo este processo? Estamos trocando um governo ruim por outro que se anuncia ainda pior: que planeja usar a falácia do "desequilíbrio nas contas" para promover uma caça sistemática aos nossos direitos sociais e trabalhistas, fazer uma nova contra-reforma da previdência, seguir entregando o patrimônio público a preço de banana, cortar investimentos públicos essenciais (sem reduzir o número de ministérios!), seguir à risca o velho receituário neoliberal de combater a inflação com mais juros, menos salário e mais desemprego. Enfim, acelerar aquilo que o governo do PT vinha fazendo de forma lenta e vacilante. Saem "a mulher e os petralhas", entram o banqueiro Meireles pra dirigir a economia, o famigerado Serra (que entregou o pré-sal pro estrangeiro) nas relações exteriores, o evangélico fanático e anti-científico no ministério da ciência e outros horrores ainda por vir. Final feliz?

Nisto é a que conduziu a obsessão cega contra a "máfia do PT" e do "combate à corrupção", imaginando que este seria nosso único grande problema. Ignora-se, assim, a base real onde se dá tal corrupção: uma forma de organização social, o capitalismo e seu dito "livre-mercado", que ao estabelecer que o dinheiro pode tudo, se faz corrupto por natureza e gera instituições e governantes igualmente corruptos, e que ao viver assolado por crises econômicas que ele próprio produz, cria os pretextos para "flexibilizar" cada vez mais nossos direitos só para aumentar ainda mais os lucros dos grandes empresários, criando novas contradições que produzirão novas crises ainda maiores. E de tempos em tempos, pra parecer que as coisas mudam, trocam-se os nomes quando estes não mais convém (sai Dilma e Cunha, entram Temer, Aécio e outros; depois caem estes últimos, e vêm outros). Feita assim, a "caça à corrupção" não passa de um pretexto para uma mera briga entre poderosos, um motivo para apontar ao adversário com o dedo sujo. Mas o "cidadão de bem" comemora! Basta juízes e a imprensa "fazerem sua parte" (e agora parecem fazê-lo) para nos livrarmos de todos os nossos problemas, sem precisar lutar por mudanças de fundo nesta ordem que grita "corruptos" mas aceita inúmeras formas legalizadas de corrupção: a exploração do trabalho, que converte o trabalho de todos nós na riqueza de alguns poucos; o poder irrestrito do dinheiro, que cresce a cada privatização ou "concessão" que se faz; o financiamento privado das campanhas eleitorais, na qual os políticos dos grandes partidos baseiam todas as mentiras que vendem em troca do voto. Por que o "cidadão de bem" é incapaz de ver corrupção nisto tudo e em tantas outras formas de corrupção legalizada?

Contra esta falsa esperança vendida pelos poderosos, de que haveria solução aos nossos problemas dentro da ordem estabelecida por eles, devemos ter o otimismo da razão. Querem nos fazer pagar a conta da crise deles. Contra isso, precisamos todos nos organizar nos nossos locais de trabalho, estudo e moradia para resistir. Com isso, cada político que for caindo do castelo de cartas deixará de ser uma cortina de fumaça a mais e se tornará uma desculpa a menos para esconder de nós, o povo, a verdadeira crise que nos querem fazer pagar, a crise de um sistema que simplesmente não funciona. Então, como diz o poeta, "quando os trabalhadores perderem a paciência", não serão políticos corruptos a cair. Será toda esta ordem corrupta, que cria tais políticos, que dará lugar ao verdadeiramente novo.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Quem tem pena do capataz?

Um camarada me explicou como a crise econômica afeta a crise política com a seguinte analogia: na crise o patrão (mercado) não quer nem saber, sai cortando a cabeça de todo mundo, do trabalhador (nós) e também do capataz (PT).

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Cuba reabre sua embaixada nos EUA!

Foi um ato simples que marcou um dia que a muitos será inesquecível. Na reinauguração da embaixada cubana em Washington, capital dos EUA, que oficializou a retomada de relações entre os dois países após mais de meio século de ruptura, a bandeira de Cuba voltou a ser erguida dentro do Império aos gritos de "viva Fidel" e "Cuba sí, ianquis no!". Trata-se de um acontecimento histórico que representa uma vitória da revolução, pois não foram os cubanos que romperam relações com seu poderoso vizinho em 1961, mas foram eles que impuseram os termos da retomada das relações com os gringos.

Certamente, a normalização das relações não significa que o "amigo do norte" desistirá de tentar destruir as conquistas da revolução, a principal delas, o incômodo exemplo da rebeldia cubana contra o imperialismo. E é fato que essa mudança trará novos desafios ao socialismo em Cuba, dentre outros motivos, por abrir-se o caminho àqueles que, dentro e fora da revolução, defendem a adoção da "via chinesa". Mas o fato é que tais riscos podem e devem ser enfrentados, com princípios e convicção de onde se quer chegar. E a História seguirá seu rumo, como sempre!

sábado, 27 de junho de 2015

Oposição a favor do Brasil?

É realmente de chamar a atenção, na última lista de acusados no esquema de corrupção na Petrobrás, a presença do senador Aloysio Nunes, um dos principais líderes do PSDB. O que salta aos olhos nessas listas de delação premiada não é a presença de políticos do PT e seus cupinchas, que afinal, já estão há mais de dez anos penduricados no governo, se relacionando (e se comprometendo) com as velhas e viciadas estruturas de um poder que jamais quiseram transformar. O que impressiona mesmo é como um partido que, mesmo estando há mais de uma década afastado deste poder, consegue ainda assim se envolver constantemente nos maiores escândalos de corrupção do país. Afinal, esta oposição do PSDB é a favor de quem?

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Maioridade penal

Agora que a câmara dos quinhentos "doutores de bem", graças aos golpes e contragolpes do "tricolor carioca" Eduardo Cunha (também conhecido como o mais puro dos puros!) reduziu a maioridade penal pros 16 anos de idade, já é hora de começar uma nova campanha: pela redução da maioridade penal pros seis meses de idade!! Sim, pois logo, logo os sabidos doutores e a imparcial "opinião pública" vão perceber que reduzir pros 16 anos não diminui a violência e a criminalidade, e daí vão querer reduzir pra 14, depois 12, 10 e assim por diante...

Já que a sociedade é comodista demais pra aceitar que o problema do jovem delinquente está nela mesma, preferindo tapar o sol com a peneira, combatendo os efeitos e não as raízes do problema, a desigualdade extrema, a desagregação familiar, o desemprego e a desocupação dos jovens, ou seja, a forma capitalista de viver "em sociedade", vamos logo deixar de delongas e admitir que somos um bando de bárbaros vivendo numa sociedade de barbárie.

Por isso que digo, não vamos mais perder tempo! Redução da maioridade penal pros seis meses de idade já!!

quinta-feira, 4 de junho de 2015

A contra-reforma política

Esta semana mais um golpe foi dado pela câmara dos deputados, dessa vez na chamada "reforma política", aprovada como sempre às pressas e sem qualquer discussão. Traindo a palavra "reforma", os deputados  mantiveram o famigerado financiamento privado de campanha, principal combustível da corrupção na política que tanto beneficia os grandes partidos da ordem (PT, PMDB, PSDB, etc.) e mantiveram o falido sistema eleitoral proporcional, reforçando o fenômeno das chamadas "legendas de aluguel", partidos sem qualquer representatividade que se elegem vendendo-se em coligações interesseiras e sem qualquer critério, reforçando o oportunismo, a falta de coerência e de compromisso ideológico na política.

A única novidade foi a criação de uma vergonhosa cláusula de barreira, verdadeira censura que proíbe o acesso aos programas de rádio e TV e ao dinheiro do fundo partidário aos partidos sem representação no congresso, o que penaliza aqueles poucos que não se vendem ao suborno do financiamento privado nem se entregam a coligações espúrias, ou seja, fecha o espaço de representação justamente àqueles  poucos partidos que de fato se opõem à mesmice e ao mar de lama da política brasileira.

Com mais este retrocesso, o já esgotado sistema político brasileiro se distancia ainda mais da sociedade; torna-se ainda mais fechado e avesso às mudanças de fundo que o país tanto necessita. Deslegitima ainda mais a ordem política justamente quando esta mais carece de legitimidade. Os idealizadores da contra-reforma política pensam que poderão sufocar aqueles que contestam a ordem política e social vigente no Brasil, mas estão apenas pavimentando o caminho para sua mais radical supressão.

domingo, 8 de março de 2015

Feliz dia da mulher trabalhadora!

Ao contrário do que a grande mídia vai apregoar neste dia, o Oito de Março não é de todas as mulheres. É dia somente daquela mulher que produz a riqueza, da mulher que não aceita que mandem no seu corpo, que enfrenta de cabeça erguida a dupla jornada no emprego e no lar, da mulher que faz a diferença na sua vida e no mundo.

Pois foi essa mulher, a MULHER TRABALHADORA, que deu seu sangue ao longo dos séculos para conquistar os poucos direitos que você, mulher, hoje possui. Foi na exploração das fábricas que a mulher trabalhadora tomou consciência de sua opressão e se organizou pra lutar e vencer. Foi essa mulher que mudou a História em episódios como nas jornadas das tecelãs de Nova York de 1857 e na greve geral das operárias russas de 1917, que marcou o início da Revolução Russa. Foram essas mulheres, organizadas na Associação Internacional dos Trabalhadores, que criaram o dia da mulher trabalhadora em 1911.

O grito das operárias que criaram o 8 de março diz claramente que há mulheres e mulheres. Mulheres que trabalham, mulheres que exploram. E que o inimigo da mulher não é o homem, mas sim o grande capital privado, que superexplora o trabalho feminino, que oprime a mulher transformando o seu corpo em mercadoria e fonte de lucro. Esse inimigo não tem sexo, pois o dono e gestor do capital tanto pode ser homem quanto mulher. Por isso nunca esqueçam, mulheres trabalhadoras, se o gênero as une, a classe as separa.

Um feliz dia da mulher trabalhadora a todas e a todos!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O aumento da gasolina e o “ajuste fiscal”: isto é capitalismo



Contradição! O escandaloso aumento de mais de vinte centavos na gasolina [01], ordenado pelo todo-poderoso Ministro da Fazenda (e funcionário do Bradesco!), Joaquim Levy, foi anunciado no mesmo dia em que se noticiava projeção de crescimento pífia para 2015 e perigo de crescimento ainda maior da inflação, problemas que só devem se agravar com o enorme aumento do preço do principal insumo da economia. E isso que o preço da matéria prima dos combustíveis (o petróleo) não para de despencar no mercado internacional, ou seja, a Petrobras poderia muito bem conter tal aumento. Como se explica uma medida tão irracional?

Primeiro, pela própria lógica de empresa privada da Petrobras (isso mesmo, privada, já que mais de 70% das ações preferenciais da empresa estão em mãos de particulares [02]!), colocando o interesse de um punhado de acionistas gananciosos à frente do interesse da imensa maioria da sociedade. Pouco interessa o dano que tão abrupto aumento nos combustíveis vai trazer ao país, pouco importa os sucessivos aumentos de produção da empresa, seus lucros bilionários, e importa menos ainda que a queda dos preços do petróleo no mercado internacional dê uma folga que permitiria segurar mais um pouco os preços. Nada disso importa. O importante mesmo é recuperar o “valor” das ações da empresa, em queda por conta dos escândalos de corrupção e da política “irresponsável” (aos olhos dos imparciais analistas burgueses) de contida dos preços praticada em anos anteriores.

Segundo, por pressão do sistema financeiro, que em ano posterior às eleições sempre ganha força política para impor sua pauta de menos produção e maior parasitismo financeiro [03], com aumento dos juros, dos impostos e corte em investimentos, sempre com o argumento manjado de que é preciso “frear a gastança” para conter a inflação (aumentando o preço da gasolina??!), retórica pouco criativa que os “especialistas” da mídia burguesa repetem num consenso mais religioso do que científico. Mas tal política de parasitismo, estagnação, queda nos níveis de emprego, em resumo, de piora das condições de vida do povo trabalhador, vai muito além dos interesses dos bancos tão somente. O atual estágio de desenvolvimento do capitalismo impõe de forma inevitável que a produção dê cada vez menos lucro, restando “investir” no sistema financeiro (com suas especulações, seus títulos da dívida pública, seus empréstimos a juros exorbitantes, em resumo, toda sorte de agiotagens) para seguir lucrando alto. O setor produtivo, bem ao estilo Thatcher, aplaude o crescimento “responsável” do parasitismo por conta das perspectivas de maior desemprego (e por tabela, queda nos salários) trazidas pela crescente “financeirização” da economia. E antes que alguém diga que tal setor poderia se interessar em combater esse aparente privilégio aos bancos, é bom lembrar do tráfico de influências, das mesadas do BNDES, da “ajuda” petista de investimentos em países latino-americanos, progressistas ou não (e claro, as polpudas aplicações financeiras que nenhuma grande empresa produtiva hoje em dia deixa de fazer), que sempre estarão lá para engordar os lucros dos grandes oligopólios do setor produtivo. Nessas condições, importa a eles que a produção diminua, que a inflação e o desemprego aumentem, que as nossas vidas piorem? Enquanto seguirem lucrando alto, certamente que não. E tudo isso graças a um governo que se elegeu dizendo que seus rivais iriam vender o país pros banqueiros!

Eis o retrato do capitalismo: mentiroso na política, suicida na economia popular, mas claro, altamente lucrativo para uma minoria ínfima.

[01] http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/economia/noticia/2015/01/preco-da-gasolina-e-diesel-deve-subir-nas-bombas-em-fevereiro-em-santa-catarina-4685098.html
[03] http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/noticia/2015/01/entenda-qual-o-impacto-do-pacote-anunciado-pelo-governo-federal-4684983.html

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Discurso e prática que não enganam mais ninguém


Um mês após as eleições, no que resultou o desesperado discurso petista de unir nas urnas todas as "forças progressistas" em torno da Dilma para "não deixar a direita ganhar" e impedir retrocessos?

Resultou, em primeiro lugar, no novo ministro da economia nomeado por Dilma (Joaquim Levy), ex-diretor do Bradesco, que já chega anunciando mais arrocho, mais cortes nos investimentos públicos e, claro, mais dinheiro pros banqueiros e menos pro povo. Neoliberal extremista, sua indicação agradou "o mercado" a ponto de Dilma ser elogiada pela até então chamada "imprensa golpista", como no último editorial do jornal O Globo. Mas espere! A campanha do PT não dizia que era a Marina quem iria governar pros banqueiros...?

Em segundo, resultou na indicação para ministra da agricultura nada menos que a líder da bancada ruralista no Congresso, a senadora Kátia Abreu, defensora ferrenha do latifúndio, dos transgênicos, do código florestal dos desmatadores e até do trabalho escravo, uma inimiga declarada do trabalhador do campo e da cidade que sonha em transformar o Brasil numa imensa plantação de soja e cana para exportação. Mas espere, a campanha do PT não dizia que era o Aécio quem representava o que tinha de mais atrasado e retrógrado no Brasil...?

Pior que tudo isso só mesmo ouvir petistas botarem a culpa dos mais que anunciados retrocessos do governo Dilma na "esquerda" como um todo, numa tentativa de responsabilizar a oposição de esquerda pela situação de "refém" do governo do PT perante um Congresso cada vez mais hegemonizado pelo conservadorismo. Fingem ignorar que ficar "à mercê" de nomes como Sarney, Collor, Calheiros e Maluf foi uma escolha do próprio PT, que desde 2002 decidiu apoiar seu governo no Congresso dos "trezentos picaretas com anel de doutor". Podia ter escolhido o caminho da mobilização popular, da politização do povo e de sua participação ativa, remédio contra o qual nenhuma demagogia conservadora é capaz de resistir. Escolheu, porém, o caminho oposto, apostando na despolitização e na falta de participação do povo, mera massa de manobra das épocas eleitorais que segue colhendo os frutos amargos da amizade do PT com os banqueiros, latifundiários e grandes empresários. Ou alguém se esquece que muitos dos conservadores que "fazem refém" o governo Dilma foram eleitos com o apoio do próprio PT, como é o caso, dentre outros, da própria Kátia Abreu?

E como ficam perante suas bases aqueles setores da esquerda que apoiaram a reeleição de Dilma "pra barrar a direita"? Grupos como a direção nacional do MST, que mesmo sabendo da aliança de Dilma com os ruralistas de Kátia Abreu antes das eleições, não deixaram de agitar suas bandeiras na festa governista para agora, como que ingenuamente, "protestar" contra a indicação da chefona ruralista ao ministério...

PT no poder, doze anos... As práticas se repetem, e seus discursos, enganam mais alguém?

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Lições de 1989


A História e os motivos da ascensão e queda de um tipo particular de socialismo, tido tanto por seus apologéticos quanto pelo mais ferrenho anticomunismo como a única e universal maneira de se fazer socialismo, tem muito a ensinar sobre quais caminhos devem ser seguidos - e quais não devem - pelos arquitetos do socialismo do futuro.
autogoverno@gmail.com

Nestes dias em que se completam 25 anos da queda do Muro de Berlim, episódio histórico que marcou o desaparecimento do socialismo da Europa e o início da maior ofensiva mundial político-econômico-ideológia da história do capitalismo, a ponto de o senso comum aceitar tal sistema como o único possível,  surge o momento ideal para todos que ainda defendem o socialismo como forma de organização social distinta e oposta ao capitalismo se perguntarem e debaterem junto ao povo as resposta às perguntas que, por mais de duas décadas, temos vergonhosamente evitado de enfrentar: o que deu errado? Até que ponto essa derrota histórica foi provocada por decisões das pessoas, e não pelas terríveis condições impostas pela realidade nos países onde se procurou construir o socialismo? E quais os caminhos que futuras experiências socialistas devem ou não seguir para que não se repitam os erros do passado?

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

A perna curta dos "conselhos populares" do PT



Nesta terça-feira a Câmara dos Deputados, liderado pelo "governista" PMDB, vetou de forma quase unânime o decreto da presidente Dilma que instituía a Política Nacional de Participação Social (PNPS), vulgarmente chamado "decreto dos conselhos populares". É o começo do fim da iniciativa que, de acordo com amplos setores da dita esquerda brasileira, prometia aumentar a participação popular no governo, em contraposição às forças conservadoras (para quem a participação popular na verdade jamais interessou), que diziam se tratar de uma medida "bolivariana" ou até "bolchevique". Mas afinal, qual era o real significado do decreto do PNPS?

Em primeiro lugar, o decreto de Dilma não criou nenhum "conselho popular"; tais conselhos sempre existiram em diversas áreas como educação, saúde, trabalho, segurança, meio ambiente e outros, sendo que a maioria deles nunca teve nada de popular, como o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, integrado por empresários. O decreto apenas reforçava que as instâncias do governo, tais como os ministérios e autarquias, deveriam levar em conta as opiniões de tais conselhos na formulação de suas políticas. Simples assim, sem nada de mais!

Em segundo lugar, salta aos olhos a contradição de se tentar "aumentar a participação popular" através de um decreto instituído pelo alto, sem qualquer debate com a população. O episódio explicitou mais uma vez a grande contradição do governo do PT, que sempre buscou sustentação no Congresso, ao invés de se apoiar no povo, na pressão popular. Assim, entregue a um congresso majoritariamente conservador, e sob as vistas apáticas de um povo que o governo do PT jamais quis "trazer para participar", fica obviamente impossível sustentar qualquer decreto que pretenda trazer mesmo que tímidos avanços. Ironia: a "participação popular" prometida pelo governo foi destruída por absoluta inexistência de participação popular nos doze anos de governo do partido "dos trabalhadores"...!

Em terceiro, fica a pergunta de qual seria a real intenção por trás do decreto da PNPS. Como uma medida tão tímida pôde ser alardeada pela "esquerda governista" como "o grande avanço" do governo do PT? Coincidência tal decreto ter sido lançado apenas alguns meses antes das eleições? Poderia ser, se em política existissem coincidências! Na verdade, mesmo dentro do PT há poucos que se preocupam realmente com esse começo do fim do decreto dos "conselhos populares", pois este já serviu ao seu único real propósito: a reeleição de Dilma. De fato, o PNPS nada mais foi que uma manobra eleitoreira, uma tentativa do PT de auto-afirmar sua imagem de "esquerda", velha tática que o partido de Lula e Dilma sempre adotou em época de eleições, sabendo que o repúdio raivoso dos conservadores a tal decreto só alimentaria ainda mais a velha mística da "luta contra a direita"; apenas mais um elemento para alimentar a falsa polarização indispensável para unir todas as forças progressistas do país em torno do projeto de poder de um partido que, no governo, pouco ou nada teve de "esquerda", quando não reacionário, como atestam medidas estruturais retrógradas como a "reforma" da previdência, o código florestal, o "bolsa banqueiro" ou as privatizações do petróleo e da infra-estrutura do país, medidas que o governo do PT costuma adotar em épocas "normais", ou seja, fora dos anos eleitorais - e diga-se de passagem, bem longe da participação popular pelas urnas.

Parafraseando o ditado popular, toda farsa tem perna curta.

sábado, 18 de outubro de 2014

Nem Aécio nem Dilma: seguir na luta pelo Poder Popular!

(Nota Política do PCB sobre o segundo turno das eleições)

1. O PCB disputou o primeiro turno destas eleições denunciando o jogo marcado da democracia burguesa e deixando claro que é impossível reformar e humanizar o capitalismo. A revolução socialista é o único caminho para os trabalhadores acabarem com a exploração.
2. O resultado das eleições para presidente confirmou os prognósticos feitos pelo PCB, de que se repetiria o roteiro elaborado pelas classes dominantes. Valendo-se de sua hegemonia política e econômica e dos limites impostos pela legislação, a eleição foi levada para o segundo turno, com duas candidaturas ligadas aos seus interesses. A classe trabalhadora foi derrotada nestas eleições e deverá continuar em luta, qualquer que seja o futuro presidente.
3. Nas eleições burguesas, os candidatos da ordem são escolhidos previamente, entre aqueles que certamente garantirão o poder burguês e o crescimento da economia capitalista. O financiamento privado e os espaços na mídia variam em função das possibilidades de vitória e das garantias de satisfação dos interesses dos diversos setores do capital, com a manutenção dos fundamentos econômicos que prevalecem desde Collor e que vêm se aprofundando nos últimos governos: superavit primário, responsabilidade fiscal, autonomia do Banco Central, renúncias fiscais, desonerações da folha de pagamento, ou seja, o Estado e suas instituições a serviço do capital, tudo dentro da estratégia de inserir cada vez mais o capitalismo brasileiro no sistema imperialista.

sábado, 4 de outubro de 2014

Cinco de outubro é dia de...


1) Dar um tapa na cara da despolitização, exercendo um dos raros espaços de participação que nosso limitadíssimo sistema político (dito "democrático") nos oferece! Dia de votar em alguém, porque alguém vai se eleger!

2) Dizer não às candidaturas do capital e do poder econômico, de Dilma (PT/PMDB/ PCdoB), Aécio (PSDB/PPS) e Marina (PSB/ PPL) pra Presidente, e de Colombo (PSD/ DEMO/PDT/PCdoB/PTB), Bauer (PSDB/PP) e Vignatti (PT) pra governador. Eles, seus partidos e seus aliados representam os mesmos velhos poderes que sempre nos governaram, tendo recebido centenas de milhões de reais de empresários exploradores e destruidores da natureza pra defenderem seus interesses. Eles não representarão o seu voto, mas sim o dinheiro que os financia! Pense nisto!

3) Dizer um grande "calaboca" às pesquisas de opinião, que ao dizerem que "fulano está na frente de beltrano" manipulam nosso voto (induzindo-nos ao tal "voto útil"). Todas essas pesquisas fingem não saber que de 10% a 15% dos eleitores ainda estão indecisos! São votos que podem decidir as eleições. Pense nisto também!

4) Não cair nas armadilhas do nosso sistema eleitoral, onde você vota no fulano pra deputado, mas acaba elegendo sicrano. NAS ELEIÇÕES PRA DEPUTADO NÃO GANHA A PESSOA QUE FAZ MAIS VOTOS, MAS SIM AS COLIGAÇÕES MAIS VOTADAS. Antes de votar no fulano de tal descubra qual o seu partido e, principalmente, com quem ele está coligado, do contrário poderá ter uma surpresa desagradável e passar mais quatro anos reclamando que "deputado nenhum presta".

5) Dizer a todos que "voto útil" não é votar no "menos pior", mas sim em quem é de confiança. Em quem não tem sua campanha financiada por milionárias doações de interesses privados, em quem sempre lutou (de graça!) na defesa dos interesses do povo trabalhador, em quem sempre esteve nas ruas, nas manifestações e nas lutas do dia a dia contra o corrupto poder do dinheiro, em resumo, em quem sempre fez política real e não politicagem eleitoreira.

Por tudo isso, cinco de outubro é dia de votar nos candidatos do PCB (Partido Comunista Brasileiro), 21, ou nos demais partidos da esquerda legítima (PSOL, PSTU ou PCO) que também não se venderam.

Mas acima de tudo, cinco de outubro é dia de lembrar que votar é importante, mas se resolvesse de verdade não nos deixariam votar. Acima de tudo, precisamos sair da zona de conforto de achar que "fazemos nossa parte" apenas apertando uns botõezinhos na urna a cada quatro anos. Ganhe quem ganhar, seguiremos tendo que lutar por nossos direitos. POIS EXISTE SIM POLÍTICA ALÉM DO VOTO!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Porto de Cuba: desvelando a essência de Dilma e Aécio


Nesta quinta-feira o candidato Aécio usou seu programa eleitoral para, com sua costumeira retórica agressiva, acusar o governo de "ter feito um porto" para a "ditadura" cubana. O porto de Mariel, construído pela Odebrecht, na verdade foi vendido pra Cuba, que terá de pagar com juros pela obra!

Não se trata de defender Dilma, até porque um governo privatista como o do PT jamais fez algo sem visar ganhos, que no caso do porto de Mariel, não foram parar somente nos bolsos da Odebrech. Os donos da empreiteira hoje comemoram dizendo que quem mais ganhou com o porto em Cuba foi o capitalismo brasileiro. E é verdade. O acordo da construção do porto trará lucros não só pra Odebrecht mas para diversos outros setores de indústria e de serviços no Brasil que ganharam o direito de explorar o porto em conjunto com Cuba. A ideia da "ajuda" de Dilma aos cubanos, agora explorada pelo PT visando os votos da esquerda, não tem nada de socialista, mas sim de um utilitarismo frio: se os capitalistas dos EUA (e da turma do Aécio), com seu bloqueio contra Cuba, são tão cegos que põem birras ideológicas à frente da sua sede de lucro, o mesmo não vale aos capitalistas "moderninhos" da Odebrecht e cia., que com a ajuda do PT, seguirão explorando novos "nichos de mercado" exclusivos para expandir o capitalismo brasileiro e seus lucros. É esta a real essência do projeto do PT para o Brasil. Longe de querer ajudar comunistas, como esbravejam os setores mais fanáticos da direita, o governo do partido "dos trabalhadores" se compromete em desenvolver o capitalismo brasileiro, sem olhar para as cores nem ideologias daqueles com quem faz negócio. A Revolução Cubana por sua vez, ainda isolada pelo bloqueio, se vê obrigada a fazer acordos desse tipo (até porque, afinal de contas, só canoa vive de vento!) e como resultado, do lado de cá da fronteira, pros patrões tudo e cada vez mais, enquanto pra nós trabalhadores, na melhor das hipóteses, tudo fica na mesma.

Então porque Aécio, um direitista assumido, de um partido tradicionalmente alinhado aos interesses do grande capital privado, grita tanto contra a construção do porto de Mariel em Cuba? Quem sabe por ser tão cego de burro quanto os capitalistas norte-americanos e os anti-cubanos em geral. Fato, porém, é que Aécio quer sentar na cadeira de presidente, e é capaz de tudo por sua ambição pessoal. Porém, como as diferenças concretas entre o PT e a tucanalha de Aécio são cada dia menores, inclusive com o PT lhe roubando cada vez mais o apoio dos capitalistas, tradicionais aliados de classe de seu partido, só resta ao "pobre" Aécio realizar uma campanha eleitoreira focada nos esbravejos mais agressivos possíveis, para quem sabe assim criar no grito um clima de fanatismo anti-petista capaz de o distinguir o suficiente do seu adversário de urnas.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Israel x palestinos: um conflito sem fim?

Os embates atuais entre Israel e o Hamas na faixa de Gaza, que já mataram quase dois mil palestinos em um mês de bombardeios israelenses na região, reavivam de maneira explosiva o antigo conflito árabe-israelense e, ao redor do mundo, voltam a contrapor os que defendem os diretos do povo palestino à minoria que defende os interesses do Estado de Israel. Enquanto o mundo condena cada vez mais a reação desproporcional dos ataques israelenses à Faixa de Gaza (dos 1.928 palestinos mortos até a trégua do dia 11, a imensa maioria são civis, com grande parcela de mulheres e crianças, enquanto dos 66 israelenses mortos a imensa maioria - 64 - é de soldados que invadem Gaza) os defensores de Israel, cada vez mais isolados, disparam para todos os lados acusações de “anti-semitismo” aos seus opositores. Trata-se de uma acusação um tanto descabida quando se considera o significado da ideia do antisemitismo, que tem raízes milenares em preconceitos racistas e xenofóbicos contra os judeus, que justificaram desde as perseguições aos judeus na Idade Média até o extermínio em massa destes pelo regime nazista. Tachar de maneira generalizada as críticas à Israel com o nome de “antisemitismo” é uma acusação cínica e bastante útil que serve a poderosos interesses geopolíticos que vão muito além das fronteiras de Israel. Em épocas como essa, a longínqua lembrança de campos de concentração é evocada e o fantasma de Hitler é trazido à tona por tais interesses, que gritando a plenos pulmões, acusam qualquer um que questione minimamente as práticas do Estado de Israel de ser algum tipo de monstro pronto para exterminar todos os judeus da face da Terra. Mas quais são esses interesses? E por que tais interesses confundem, de maneira tão simplista e mecanicista, povo judeu com governo israelense, como se Estado e povo fossem duas substâncias radicalmente indissociáveis? E por que será que o governo dos Estados Unidos sempre apoia tão ferrenhamente o governo de Israel? Em outras palavras, quais as raízes do conflito entre árabes e israelenses, e o mais importante de tudo, será que tal conflito tem uma solução?

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Uma flor aos fascistas


Neste 25 de Abril quero oferecer uma flor aos fascistas,
e àqueles que têm no atraso e na morte o seu norte.
A eles ofereço a linda e rubra flor,
O Cravo da Revolução.
O Vermelho da Paz do vitorioso Povo Português.
Pois mesmo que o velho travestido de novo tenha traído os ideais de liberdade, paz e socialismo da Revolução

Sei bem, como disse Chico Buarque, que essa flor deixou uma semente
Semente do amanhã, a Revolução é para sempre jovem!
Que neste 25 de Abril, e para sempre, os cravos sigam calando os canhões do fascismo, do ódio, da violência, do preconceito, do machismo, do racismo, da homofobia, da xenofobia e da exploração, os canhões da desumanização da Humanidade.

E aos sempre velhos de coração,
que desconhecem dos povos a Razão,
que o Cravo da Revolução,
lhes cave a sepultura.

25 DE ABRIL SEMPRE!