"Houve tortura na Ilha de Cuba, sim senhor, mas na base de Guantánamo, que não é nosso território. Fale para eles [EUA e/ou entidades de 'direitos humanos'] que discutam conosco direitos em igualdades de condições e vamos ver o que sai. Quem controla a imprensa? Vocês são jornalistas e sabem disso. Quando escrevem algo que não convém ao dono o que acontece? Desde que um tal de Gutemberg inventou a imprensa, só se publica o que quer o dono da empresa."
(Raul Castro, presidente de Cuba, ao ser questionado sobre o desrespeito aos direitos humanos em Cuba e após lamentar a morte de preso em greve de fome).
*texto extraído de prestesaressurgir.blogspot.com/
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Raul Castro e os "direitos humanos" dos capitalistas*
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Um exemplo que vem da... Coréia do Norte!
Porém, por incrível que pareça, mesmo um regime como o norte-coreano é capaz de proporcionar exemplos democráticos que não se vêem em quaisquer das ditas “democracias” ocidentais...
Tudo começou quando o governo norte-coreano decidiu realizar reformas no seu sistema monetário, visando “abolir” as relações de mercado e ceifar pequenas fortunas particulares obtidas com o comércio. O pacote econômico se revelou um desastre, agravando a crise do abastecimento e provocando enorme descontentamento popular. Como resultado, o primeiro-ministro do país convocou, semana passada, uma reunião com milhares de representantes dos inminban (ou “brigadas populares”). Cada inminban serve como uma espécie de conselho de base local, composto basicamente por 20 a 40 famílias, servindo em geral como mecanismo de fiscalização do povo e correia transmissora dos desejos do regime. Porém, dessa vez algo de diferente se viu. Surpreendentemente, o primeiro-ministro anunciou o abandono do pacote econômico e pediu desculpas pelos seus resultados desastrosos: “Eu ofereço minhas sinceras desculpas pela reforma cambial (...) Nós faremos o nosso melhor para estabilizar a vida do povo”, disse ele na reunião, conforme divulgou-se na imprensa sul-coreana.
Depois dessa, fica a pergunta: onde que já se viu em alguma “democracia” ocidental qualquer governante pedindo desculpas ao seu povo por seus atos desastrosos? Existe por acaso alguma “democracia” onde tais desculpas sejam transmitidas não por jornais ou televisão, mas sim diretamente ao próprio povo, através dos inminban? E qual das pretensas “democracias” do mundo capitalista possui qualquer coisa que se assemelhe minimamente a essas “brigadas populares”, onde bem ou mal o povo ao menos se vê em contato direto com seus líderes?
Fatos como esse põem em xeque as noções “senso comum” existentes sobre “ditadura” e “democracia”, e servem de alento a todos aquele acreditam que uma alternativa ao capitalismo e sua corrupta “democracia representativa” não só é necessário como possível. Se até mesmo o pior dos socialismos é capaz de dar lições de democracia ao auto-intitulado “mundo livre”, o que mais pode ser considerado impossível?
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
20 anos do fim do apartheid: a História de uma cumplicidade criminosa.
Poucos lembram hoje em dia que, há vinte anos atrás, governos e elites dos EUA e do chamado “ocidente” apoiavam o regime do apartheid de forma ora velada, ora escancarada, tratando-o como um importante aliado “na defesa da liberdade e da democracia” na África; poucos lembram também que o regime norte-americano, que hoje rende louvores a Mandela, o tachava naqueles tempos de “perigoso terrorista”. E menos pessoas ainda lembram que, naqueles tempos, os mais firmes aliados na luta do povo sul-africano contra o regime de segregação racial foram justamente as “terríveis ditaduras” do mundo socialista, em especial Cuba, União Soviética, Angola e Moçambique, que na contramão do chamado “mundo livre”, lutaram de forma implacável para isolar o regime sul-africano perante a comunidade internacional, inclusive pagando com o sangue de seus povos para conter o expansionismo militar do apartheid na África meridional. Mandela jamais deixou de agradecer aos “terríveis comunistas” pelo inestimável apoio destes à liberdade de seu povo, inclusive chamando Fidel Castro de “irmão”.
Nada disso surpreende. A história do apartheid foi a mesma da Guerra Fria, ou seja, foi a história da resistência heróica de povos inteiros contra o poder inescrupuloso do capital transnacional. De início uma luta de classes localizada dos negros pobres da África do Sul contra a opressão de uma elite branca genuinamente fascista, o conflito se proliferou pelo resto da região quando os EUA viram na elite afrikaaner o aliado ideal para apoiar a expansão de suas transnacionais e combater o “perigo vermelho” na África subsaariana – principalmente após a descolonização da antiga África portuguesa e a posterior guinada de Angola e Moçambique para o campo socialista. Assim, o apoio da auto-intitulada “maior democracia do mundo” foi importante não somente para a sobrevivência do apartheid como também estimulou o expansionismo imperialista do regime fascista sul-africano na região. Por todo o século XX, países como Angola, Botsuana, Zimbábue e Namíbia sofreram invasões, agressões e ataques terroristas promovidos pela elite branca capitalista sul-africana, que a exemplo da norte-americana, ambicionava roubar para si o petróleo, o ouro e o diamante de outros povos e submetê-los à completa exploração, tal como já faziam com o próprio povo sul-africano. Porém, tudo mudou com o fim da Guerra Fria e do “perigo vermelho”, tornando o apoio ao apartheid pelos governos do ocidente não somente insustentável como também desnecessário. Completamente isolada, a racista elite branca afrikaaner se viu obrigada a capitular, e o resto da história já se conhece.
Estes são os fatos da cumplicidade do capitalismo com os crimes do apartheid, que passados vinte anos, os donos do capital ainda tentam em vão apagar. Resta saber quando o ocidente “livre e democrático” e seu capitalismo irão pagar sua dívida para com os povos da África subsaariana, ou ao menos prestar contas de seu legado racista e opressor perante a História.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Indagações sobre a “comunidade internacional” e a “ameaça” do Irã.
Por que a grande mídia se esquece de mencionar que o governo de Israel, grande inimigo do Irã, já tem há muito a bomba atômica? O desprezo israelense pela vida do “inimigo” – fartamente demonstrado pelos massacres na Faixa de Gaza e pelas décadas de opressão ao povo palestino – faz do agressivo Estado sionista um perigo muito maior para a paz mundial do que o Irã. Por que essa “comunidade internacional” de um só país não demonstra essa mesma “preocupação” para com o programa nuclear israelense? Que moral os EUA, único país da História que foi covarde e monstruoso a ponto de usar a bomba atômica de verdade (exterminando as populações civis de Hiroshima e Nagasaki), tem para falar do “perigo” da “proliferação nuclear”? Seria o medo paranóico do Império de provar um dia do seu próprio veneno? Ou seria parte da obsessão também paranóica das elites do Império em viver procurando "inimigos do país", para que seu povo não perceba que “os inimigos” sempre foram na verdade seus próprios líderes? E qual o interesse da grande mídia nacional em ficar sempre a favor do Império nas disputas deste com seus inimigos? Nossas elites não conseguem mesmo deixar de lado seus velhos hábitos de servilismo ao “amigo do norte”... Isso ajuda a fornecer uma definição mais precisa do conceito de “ocidente” ou “comunidade internacional”: são as elites desses países, ligadas econômica e ideologicamente ao Império, e nunca seus povos, a tal “comunidade internacional” dos jornalões e das agências de notícias-enlatadas.
Comparando os governos de FHC e Lula.
O desafio foi lançado pelo ex-presidente tucano, que encheu o peito para atacar a candidata governista Dilma Rousseff, dizendo a seguir “não temer” uma comparação entre seu governo e o de Lula. A preferida de Lula, por sua vez, disse em um de seus comícios que “aceita o desafio”. Porém, nem FHC nem Dilma ou Lula foram às “vias de fato” de comparar seus governos. Descubramos por que analisando as linhas gerais do cada um deles fez com seus oito anos de governo.
FHC privatizou praticamente tudo que estava nas mãos do Estado, sob controle social, entregando a troco de nada nossas riquezas e nossa capacidade de governar a nós mesmos a tubarões privados corruptos e gananciosos. Lula fez o mesmo, privatizando rodovias e poços de petróleo, e agora trabalha duro para privatizar também o pré-sal. FHC seguiu com esmero a chamada “cartilha neoliberal”, submetendo o Estado aos desmandos do mercado através da “autonomia” do Banco Central e das “agências reguladoras”, entregando bilhões de reais aos banqueiros e deixando migalhas pra saúde e pra educação. Lula seguiu exatamente a mesma cartilha, inclusive dando ainda mais dinheiro aos agiotas do mercado financeiro – tudo isso sem “quitar a dívida externa” que nem se mente por aí. FHC era inimigo dos movimentos sociais do campo e da cidade, e não fez a reforma agrária. Lula posa de “amigo” do MST e outros movimentos sociais, mas também não fez a reforma agrária. FHC instituiu o assistencialismo através do Bolsa Família, criticado pesadamente pelo então oposicionista Lula. Quando assumiu, Lula tomou pra si aquilo que antes criticava, aprofundando ainda mais a política tucana de “dar esmola” ao invés de emprego, garantindo assim muitos votos nas áreas mais pobres do Brasil. FHC tentou sem sucesso estender muitas de suas “reformas” neoliberais para campos como educação, saúde e seguridade social. Lula não só nada fez contra toda essa “herança maldita” do desgoverno tucano como conseguiu realizar muitos dos velhos sonhos tucanos, através das “reformas” da previdência e universitária. E quer ir além, com suas “reformas” trabalhista e política, tudo copiado da velha cartilha neoliberal tucana.
Está explicado porque governo e oposição de direita preferem xingar uns aos outros do que fazer comparações tais como cobrou FHC, “sem mentir nem descontextualizar”. Na essência, PT e PSDB/DEMO são exatamente a mesma coisa, só mudando nos detalhes. Ambos servem aos mesmos interesses, nem “do Brasil” nem “dos trabalhadores”, mas sim do grande capital privado nacional e estrangeiro. A disputa acirrada que vemos aqui não é entre diferentes “projetos de nação”, mas sim pelo puro e simples privilégio de se controlar a máquina estatal e ser o “executivo-chefe” a gerir os negócios sujos do capital.