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sábado, 7 de maio de 2016

Uma crise e suas ilusões

Com o anúncio do afastamento do corrupto Eduardo Cunha pelo STF, os mais ufanistas agora dizem que "valeu a pena" encaminhar a cassação da Dilma, pois "agora sim" todos os corruptos começarão a cair e "enfim o país vai pra frente".

Mas pode mesmo haver uma intenção séria de se combater a corrupção, quando se recorre a um corrupto comprovado (Cunha) para cassar governantes como Dilma, que de comprovado só sua impopularidade? O "combate à corrupção" não passa de uma grosseira encenação quando se decide derrubar o deputado ladrão só depois dele cumprir seu grandioso papel de derrubar a presidente indesejada. Que futuro podem ter "investigações" feitas nessas bases?

Indo além das impressões, qual o saldo de todo este processo? Estamos trocando um governo ruim por outro que se anuncia ainda pior: que planeja usar a falácia do "desequilíbrio nas contas" para promover uma caça sistemática aos nossos direitos sociais e trabalhistas, fazer uma nova contra-reforma da previdência, seguir entregando o patrimônio público a preço de banana, cortar investimentos públicos essenciais (sem reduzir o número de ministérios!), seguir à risca o velho receituário neoliberal de combater a inflação com mais juros, menos salário e mais desemprego. Enfim, acelerar aquilo que o governo do PT vinha fazendo de forma lenta e vacilante. Saem "a mulher e os petralhas", entram o banqueiro Meireles pra dirigir a economia, o famigerado Serra (que entregou o pré-sal pro estrangeiro) nas relações exteriores, o evangélico fanático e anti-científico no ministério da ciência e outros horrores ainda por vir. Final feliz?

Nisto é a que conduziu a obsessão cega contra a "máfia do PT" e do "combate à corrupção", imaginando que este seria nosso único grande problema. Ignora-se, assim, a base real onde se dá tal corrupção: uma forma de organização social, o capitalismo e seu dito "livre-mercado", que ao estabelecer que o dinheiro pode tudo, se faz corrupto por natureza e gera instituições e governantes igualmente corruptos, e que ao viver assolado por crises econômicas que ele próprio produz, cria os pretextos para "flexibilizar" cada vez mais nossos direitos só para aumentar ainda mais os lucros dos grandes empresários, criando novas contradições que produzirão novas crises ainda maiores. E de tempos em tempos, pra parecer que as coisas mudam, trocam-se os nomes quando estes não mais convém (sai Dilma e Cunha, entram Temer, Aécio e outros; depois caem estes últimos, e vêm outros). Feita assim, a "caça à corrupção" não passa de um pretexto para uma mera briga entre poderosos, um motivo para apontar ao adversário com o dedo sujo. Mas o "cidadão de bem" comemora! Basta juízes e a imprensa "fazerem sua parte" (e agora parecem fazê-lo) para nos livrarmos de todos os nossos problemas, sem precisar lutar por mudanças de fundo nesta ordem que grita "corruptos" mas aceita inúmeras formas legalizadas de corrupção: a exploração do trabalho, que converte o trabalho de todos nós na riqueza de alguns poucos; o poder irrestrito do dinheiro, que cresce a cada privatização ou "concessão" que se faz; o financiamento privado das campanhas eleitorais, na qual os políticos dos grandes partidos baseiam todas as mentiras que vendem em troca do voto. Por que o "cidadão de bem" é incapaz de ver corrupção nisto tudo e em tantas outras formas de corrupção legalizada?

Contra esta falsa esperança vendida pelos poderosos, de que haveria solução aos nossos problemas dentro da ordem estabelecida por eles, devemos ter o otimismo da razão. Querem nos fazer pagar a conta da crise deles. Contra isso, precisamos todos nos organizar nos nossos locais de trabalho, estudo e moradia para resistir. Com isso, cada político que for caindo do castelo de cartas deixará de ser uma cortina de fumaça a mais e se tornará uma desculpa a menos para esconder de nós, o povo, a verdadeira crise que nos querem fazer pagar, a crise de um sistema que simplesmente não funciona. Então, como diz o poeta, "quando os trabalhadores perderem a paciência", não serão políticos corruptos a cair. Será toda esta ordem corrupta, que cria tais políticos, que dará lugar ao verdadeiramente novo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O aumento da gasolina e o “ajuste fiscal”: isto é capitalismo



Contradição! O escandaloso aumento de mais de vinte centavos na gasolina [01], ordenado pelo todo-poderoso Ministro da Fazenda (e funcionário do Bradesco!), Joaquim Levy, foi anunciado no mesmo dia em que se noticiava projeção de crescimento pífia para 2015 e perigo de crescimento ainda maior da inflação, problemas que só devem se agravar com o enorme aumento do preço do principal insumo da economia. E isso que o preço da matéria prima dos combustíveis (o petróleo) não para de despencar no mercado internacional, ou seja, a Petrobras poderia muito bem conter tal aumento. Como se explica uma medida tão irracional?

Primeiro, pela própria lógica de empresa privada da Petrobras (isso mesmo, privada, já que mais de 70% das ações preferenciais da empresa estão em mãos de particulares [02]!), colocando o interesse de um punhado de acionistas gananciosos à frente do interesse da imensa maioria da sociedade. Pouco interessa o dano que tão abrupto aumento nos combustíveis vai trazer ao país, pouco importa os sucessivos aumentos de produção da empresa, seus lucros bilionários, e importa menos ainda que a queda dos preços do petróleo no mercado internacional dê uma folga que permitiria segurar mais um pouco os preços. Nada disso importa. O importante mesmo é recuperar o “valor” das ações da empresa, em queda por conta dos escândalos de corrupção e da política “irresponsável” (aos olhos dos imparciais analistas burgueses) de contida dos preços praticada em anos anteriores.

Segundo, por pressão do sistema financeiro, que em ano posterior às eleições sempre ganha força política para impor sua pauta de menos produção e maior parasitismo financeiro [03], com aumento dos juros, dos impostos e corte em investimentos, sempre com o argumento manjado de que é preciso “frear a gastança” para conter a inflação (aumentando o preço da gasolina??!), retórica pouco criativa que os “especialistas” da mídia burguesa repetem num consenso mais religioso do que científico. Mas tal política de parasitismo, estagnação, queda nos níveis de emprego, em resumo, de piora das condições de vida do povo trabalhador, vai muito além dos interesses dos bancos tão somente. O atual estágio de desenvolvimento do capitalismo impõe de forma inevitável que a produção dê cada vez menos lucro, restando “investir” no sistema financeiro (com suas especulações, seus títulos da dívida pública, seus empréstimos a juros exorbitantes, em resumo, toda sorte de agiotagens) para seguir lucrando alto. O setor produtivo, bem ao estilo Thatcher, aplaude o crescimento “responsável” do parasitismo por conta das perspectivas de maior desemprego (e por tabela, queda nos salários) trazidas pela crescente “financeirização” da economia. E antes que alguém diga que tal setor poderia se interessar em combater esse aparente privilégio aos bancos, é bom lembrar do tráfico de influências, das mesadas do BNDES, da “ajuda” petista de investimentos em países latino-americanos, progressistas ou não (e claro, as polpudas aplicações financeiras que nenhuma grande empresa produtiva hoje em dia deixa de fazer), que sempre estarão lá para engordar os lucros dos grandes oligopólios do setor produtivo. Nessas condições, importa a eles que a produção diminua, que a inflação e o desemprego aumentem, que as nossas vidas piorem? Enquanto seguirem lucrando alto, certamente que não. E tudo isso graças a um governo que se elegeu dizendo que seus rivais iriam vender o país pros banqueiros!

Eis o retrato do capitalismo: mentiroso na política, suicida na economia popular, mas claro, altamente lucrativo para uma minoria ínfima.

[01] http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/economia/noticia/2015/01/preco-da-gasolina-e-diesel-deve-subir-nas-bombas-em-fevereiro-em-santa-catarina-4685098.html
[03] http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/noticia/2015/01/entenda-qual-o-impacto-do-pacote-anunciado-pelo-governo-federal-4684983.html

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Discurso e prática que não enganam mais ninguém


Um mês após as eleições, no que resultou o desesperado discurso petista de unir nas urnas todas as "forças progressistas" em torno da Dilma para "não deixar a direita ganhar" e impedir retrocessos?

Resultou, em primeiro lugar, no novo ministro da economia nomeado por Dilma (Joaquim Levy), ex-diretor do Bradesco, que já chega anunciando mais arrocho, mais cortes nos investimentos públicos e, claro, mais dinheiro pros banqueiros e menos pro povo. Neoliberal extremista, sua indicação agradou "o mercado" a ponto de Dilma ser elogiada pela até então chamada "imprensa golpista", como no último editorial do jornal O Globo. Mas espere! A campanha do PT não dizia que era a Marina quem iria governar pros banqueiros...?

Em segundo, resultou na indicação para ministra da agricultura nada menos que a líder da bancada ruralista no Congresso, a senadora Kátia Abreu, defensora ferrenha do latifúndio, dos transgênicos, do código florestal dos desmatadores e até do trabalho escravo, uma inimiga declarada do trabalhador do campo e da cidade que sonha em transformar o Brasil numa imensa plantação de soja e cana para exportação. Mas espere, a campanha do PT não dizia que era o Aécio quem representava o que tinha de mais atrasado e retrógrado no Brasil...?

Pior que tudo isso só mesmo ouvir petistas botarem a culpa dos mais que anunciados retrocessos do governo Dilma na "esquerda" como um todo, numa tentativa de responsabilizar a oposição de esquerda pela situação de "refém" do governo do PT perante um Congresso cada vez mais hegemonizado pelo conservadorismo. Fingem ignorar que ficar "à mercê" de nomes como Sarney, Collor, Calheiros e Maluf foi uma escolha do próprio PT, que desde 2002 decidiu apoiar seu governo no Congresso dos "trezentos picaretas com anel de doutor". Podia ter escolhido o caminho da mobilização popular, da politização do povo e de sua participação ativa, remédio contra o qual nenhuma demagogia conservadora é capaz de resistir. Escolheu, porém, o caminho oposto, apostando na despolitização e na falta de participação do povo, mera massa de manobra das épocas eleitorais que segue colhendo os frutos amargos da amizade do PT com os banqueiros, latifundiários e grandes empresários. Ou alguém se esquece que muitos dos conservadores que "fazem refém" o governo Dilma foram eleitos com o apoio do próprio PT, como é o caso, dentre outros, da própria Kátia Abreu?

E como ficam perante suas bases aqueles setores da esquerda que apoiaram a reeleição de Dilma "pra barrar a direita"? Grupos como a direção nacional do MST, que mesmo sabendo da aliança de Dilma com os ruralistas de Kátia Abreu antes das eleições, não deixaram de agitar suas bandeiras na festa governista para agora, como que ingenuamente, "protestar" contra a indicação da chefona ruralista ao ministério...

PT no poder, doze anos... As práticas se repetem, e seus discursos, enganam mais alguém?

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

A perna curta dos "conselhos populares" do PT



Nesta terça-feira a Câmara dos Deputados, liderado pelo "governista" PMDB, vetou de forma quase unânime o decreto da presidente Dilma que instituía a Política Nacional de Participação Social (PNPS), vulgarmente chamado "decreto dos conselhos populares". É o começo do fim da iniciativa que, de acordo com amplos setores da dita esquerda brasileira, prometia aumentar a participação popular no governo, em contraposição às forças conservadoras (para quem a participação popular na verdade jamais interessou), que diziam se tratar de uma medida "bolivariana" ou até "bolchevique". Mas afinal, qual era o real significado do decreto do PNPS?

Em primeiro lugar, o decreto de Dilma não criou nenhum "conselho popular"; tais conselhos sempre existiram em diversas áreas como educação, saúde, trabalho, segurança, meio ambiente e outros, sendo que a maioria deles nunca teve nada de popular, como o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, integrado por empresários. O decreto apenas reforçava que as instâncias do governo, tais como os ministérios e autarquias, deveriam levar em conta as opiniões de tais conselhos na formulação de suas políticas. Simples assim, sem nada de mais!

Em segundo lugar, salta aos olhos a contradição de se tentar "aumentar a participação popular" através de um decreto instituído pelo alto, sem qualquer debate com a população. O episódio explicitou mais uma vez a grande contradição do governo do PT, que sempre buscou sustentação no Congresso, ao invés de se apoiar no povo, na pressão popular. Assim, entregue a um congresso majoritariamente conservador, e sob as vistas apáticas de um povo que o governo do PT jamais quis "trazer para participar", fica obviamente impossível sustentar qualquer decreto que pretenda trazer mesmo que tímidos avanços. Ironia: a "participação popular" prometida pelo governo foi destruída por absoluta inexistência de participação popular nos doze anos de governo do partido "dos trabalhadores"...!

Em terceiro, fica a pergunta de qual seria a real intenção por trás do decreto da PNPS. Como uma medida tão tímida pôde ser alardeada pela "esquerda governista" como "o grande avanço" do governo do PT? Coincidência tal decreto ter sido lançado apenas alguns meses antes das eleições? Poderia ser, se em política existissem coincidências! Na verdade, mesmo dentro do PT há poucos que se preocupam realmente com esse começo do fim do decreto dos "conselhos populares", pois este já serviu ao seu único real propósito: a reeleição de Dilma. De fato, o PNPS nada mais foi que uma manobra eleitoreira, uma tentativa do PT de auto-afirmar sua imagem de "esquerda", velha tática que o partido de Lula e Dilma sempre adotou em época de eleições, sabendo que o repúdio raivoso dos conservadores a tal decreto só alimentaria ainda mais a velha mística da "luta contra a direita"; apenas mais um elemento para alimentar a falsa polarização indispensável para unir todas as forças progressistas do país em torno do projeto de poder de um partido que, no governo, pouco ou nada teve de "esquerda", quando não reacionário, como atestam medidas estruturais retrógradas como a "reforma" da previdência, o código florestal, o "bolsa banqueiro" ou as privatizações do petróleo e da infra-estrutura do país, medidas que o governo do PT costuma adotar em épocas "normais", ou seja, fora dos anos eleitorais - e diga-se de passagem, bem longe da participação popular pelas urnas.

Parafraseando o ditado popular, toda farsa tem perna curta.

sábado, 18 de outubro de 2014

Nem Aécio nem Dilma: seguir na luta pelo Poder Popular!

(Nota Política do PCB sobre o segundo turno das eleições)

1. O PCB disputou o primeiro turno destas eleições denunciando o jogo marcado da democracia burguesa e deixando claro que é impossível reformar e humanizar o capitalismo. A revolução socialista é o único caminho para os trabalhadores acabarem com a exploração.
2. O resultado das eleições para presidente confirmou os prognósticos feitos pelo PCB, de que se repetiria o roteiro elaborado pelas classes dominantes. Valendo-se de sua hegemonia política e econômica e dos limites impostos pela legislação, a eleição foi levada para o segundo turno, com duas candidaturas ligadas aos seus interesses. A classe trabalhadora foi derrotada nestas eleições e deverá continuar em luta, qualquer que seja o futuro presidente.
3. Nas eleições burguesas, os candidatos da ordem são escolhidos previamente, entre aqueles que certamente garantirão o poder burguês e o crescimento da economia capitalista. O financiamento privado e os espaços na mídia variam em função das possibilidades de vitória e das garantias de satisfação dos interesses dos diversos setores do capital, com a manutenção dos fundamentos econômicos que prevalecem desde Collor e que vêm se aprofundando nos últimos governos: superavit primário, responsabilidade fiscal, autonomia do Banco Central, renúncias fiscais, desonerações da folha de pagamento, ou seja, o Estado e suas instituições a serviço do capital, tudo dentro da estratégia de inserir cada vez mais o capitalismo brasileiro no sistema imperialista.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Porto de Cuba: desvelando a essência de Dilma e Aécio


Nesta quinta-feira o candidato Aécio usou seu programa eleitoral para, com sua costumeira retórica agressiva, acusar o governo de "ter feito um porto" para a "ditadura" cubana. O porto de Mariel, construído pela Odebrecht, na verdade foi vendido pra Cuba, que terá de pagar com juros pela obra!

Não se trata de defender Dilma, até porque um governo privatista como o do PT jamais fez algo sem visar ganhos, que no caso do porto de Mariel, não foram parar somente nos bolsos da Odebrech. Os donos da empreiteira hoje comemoram dizendo que quem mais ganhou com o porto em Cuba foi o capitalismo brasileiro. E é verdade. O acordo da construção do porto trará lucros não só pra Odebrecht mas para diversos outros setores de indústria e de serviços no Brasil que ganharam o direito de explorar o porto em conjunto com Cuba. A ideia da "ajuda" de Dilma aos cubanos, agora explorada pelo PT visando os votos da esquerda, não tem nada de socialista, mas sim de um utilitarismo frio: se os capitalistas dos EUA (e da turma do Aécio), com seu bloqueio contra Cuba, são tão cegos que põem birras ideológicas à frente da sua sede de lucro, o mesmo não vale aos capitalistas "moderninhos" da Odebrecht e cia., que com a ajuda do PT, seguirão explorando novos "nichos de mercado" exclusivos para expandir o capitalismo brasileiro e seus lucros. É esta a real essência do projeto do PT para o Brasil. Longe de querer ajudar comunistas, como esbravejam os setores mais fanáticos da direita, o governo do partido "dos trabalhadores" se compromete em desenvolver o capitalismo brasileiro, sem olhar para as cores nem ideologias daqueles com quem faz negócio. A Revolução Cubana por sua vez, ainda isolada pelo bloqueio, se vê obrigada a fazer acordos desse tipo (até porque, afinal de contas, só canoa vive de vento!) e como resultado, do lado de cá da fronteira, pros patrões tudo e cada vez mais, enquanto pra nós trabalhadores, na melhor das hipóteses, tudo fica na mesma.

Então porque Aécio, um direitista assumido, de um partido tradicionalmente alinhado aos interesses do grande capital privado, grita tanto contra a construção do porto de Mariel em Cuba? Quem sabe por ser tão cego de burro quanto os capitalistas norte-americanos e os anti-cubanos em geral. Fato, porém, é que Aécio quer sentar na cadeira de presidente, e é capaz de tudo por sua ambição pessoal. Porém, como as diferenças concretas entre o PT e a tucanalha de Aécio são cada dia menores, inclusive com o PT lhe roubando cada vez mais o apoio dos capitalistas, tradicionais aliados de classe de seu partido, só resta ao "pobre" Aécio realizar uma campanha eleitoreira focada nos esbravejos mais agressivos possíveis, para quem sabe assim criar no grito um clima de fanatismo anti-petista capaz de o distinguir o suficiente do seu adversário de urnas.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Independência ou indecência?

No pronunciamento de ontem à noite, Dilma começou enchendo a boca pra dizer que o país "está avançando". Claro que está. Avança no sentido de mais capitalismo, ou seja, mais consumismo, endividamento e empregos precarizados e menos direitos básicos fundamentais para o povo, inclusive com aumento da repressão como no RJ...

Sabe-se lá com que orgulho, a presidenta do PT tem coragem de anunciar no dia da nossa Independência que vai continuar privatizando, entregando ainda mais do nosso patrimônio pros Eikes e pros gringos. Diz ela que isso é preciso "pra atrair mais investimentos". Pergunto: e as centenas de bilhões do nosso trabalho que o governo do PT/PMDB/PCdoB entrega de graça pros banqueiros (a famigerada "dívida eterna"), não seria o suficiente pra esses investimentos?

Mas de longe o pior de tudo é ouvir a Presidenta do Brasil, em pleno Sete de Setembro, vir dizer pra nos alegrarmos porque ela vai entregar de mão beijada pros capitalistas nacionais e estrangeiros o Campo Libra, a reserva de petróleo que é maior do que tudo que o Brasil já produziu, num furacão privatista de botar Thatcher, Pinochet, Yeltsin e FHC no chinelo! Trata-se simplesmente do maior assalto ao patrimônio público de toda a História do mundo, tudo isso feito por um partido que se diz "dos trabalhadores". É o dia da independência convertido no dia da indecência! "Mas alegrem-se brasileiros", diz Dilma, "porque os royalties (fração mínima de todo o valor desse petróleo) já estão garantidos pra educação..."

sábado, 13 de abril de 2013

Consumismo: quanto pior melhor?


Essa semana o Governo decidiu zerar impostos sobre celulares com acesso a internet (os tais smartphones), visando aumentar o acesso do povo de baixa renda a tais produtos. É mais uma medida coerente com a estratégia do PT de buscar desenvolver o capitalismo no Brasil, pois isso não só estimula a produção e os lucros como também serve para aumentar a estabilidade e a aceitação da ordem capitalista, inserindo mais brasileiros nela através do consumismo. Os governistas, claro, sempre defenderão tais medidas dizendo que elas "melhoram a vida do povo", acusando os contrários a apostarem no "quanto pior melhor".

Mas afinal, o que é melhor para o povo? É ter mais acesso a supérfluos, e continuar sem (ou com cada vez menos) saúde, educação, saneamento, segurança, sem emprego e moradia dignos? Quanto poderia ser feito nessas áreas prioritárias com as centenas de milhões que o Governo do PT abrirá mão em favor dos "importantíssimos" smartphones? Ou quanto não poderia ser feito desse dinheiro em termos de infra-estrutura, reduzindo por exemplo as intermináveis enchentes que nos assolam, ou permitindo ao país um desenvolvimento econômico completo e diversificado? Ou os governistas acham que vai ser "bom pro povo" se o Brasil continuar um país de doentes e semi-analfabetos e seguir trilhando a "via de desenvolvimento" capitalista que nos mantém simples produtores de carros e bugigangas e exportadores de ferro e soja? Isso mostra que desenvolver o capitalismo, como defendem os reformistas do PT/PCdoB, só é bom pro capitalista e nunca pro povo: na hipócrita inversão governista dos fatos, o "melhor" pra nós é consumir mais supérfluos, se endividar cada vez mais e ter cada vez menos do essencial a uma vida humana digna.

domingo, 10 de março de 2013

Quem manda no governo?

Governos não são o poder em si. São apenas a expressão do poder real, que se encontra nas mãos das parcelas economicamente mais poderosas da sociedade. Esta não é uma frase solta ao ar, fruto de teorias puras e vãs. Tem embasamento concreto no mundo real. Isso fica claro quando um governo como a da presidenta Dilma Rousseff, do Partido "dos Trabalhadores", pensa em decretar uma lei em favor das mulheres, proibindo os capitalistas de pagar salários menores às trabalhadoras, pra depois voltar atrás e desistir da tal lei por pressão desses mesmos capitalistas, a "parcela economicamente mais poderosa" que, em forma de classe dominante, é o poder real nesse mundo capitalista em que vivemos.

Cômico se não fosse trágico, o governo da presidenta Dilma, que diz estar empenhado em estabelecer a igualdade plena entre homem e mulher (a chamada igualdade de gênero), não só voltou atrás na sua lei para atacar essa perversidade típica da lógica de mercado capitalista de pagar salários menores à mulher, como o fez justamente no Dia da Mulher (!!?), que era a data que queriam promulgar a tal lei antes do "chefe" lhes mandar voltar atrás...

O governo, dizem, existe pra mandar em nós. E quem, nessa "democracia" dos capitalistas, manda no governo? Certamente, não é o nem trabalhador nem a trabalhadora que o elegeu...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Uma lógica sem remédio


Há dias o governo do PT vem anunciando que pretende ceder mais benesses ao capital privado nas futuras privatizações de estradas, portos e aeroportos. São aumentos nos prazos de concessão e mais facilidades no financiamento (público!) dos (prometidos..) investimentos que, de acordo com matéria do jornal Folha de S.Paulo, elevaria enormemente a taxa de retorno do capital privado, que em negócios desse tipo estaria hoje em torno de 6%. De início, o ministro da fazenda Guido Mantega falou em aumentar para 10%, ou seja, quase dobrar a lucratividade do capitalista (o que foi considerado apenas "decente" pelo jornal), e hoje já admite querer aumentar esses lucros pra 15%! Trata-se de mais e mais dinheiro público (ou seja, mais do produto do nosso trabalho, daquilo que nós produzimos!) indo de mão beijada pros capitalistas.

Qual a razão desse descalabro? Seria falta de vergonha na cara dos petistas, da presidente Dilma e do ministro Mantega? Se fosse, bastaria substitui-los. Mas não, o buraco é mais embaixo. 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Dilma muda nossa poupança pra dar mais lucros pros banqueiros

Neste mês do trabalho o povo brasileiro recebeu um presente de grego do governo do Partido "dos Trabalhadores". Apenas uma mudança foi feita na regra das poupanças (que já está em vigor), porém uma mudança significativa: pela regra antiga, a poupança iria sempre pagar no mínimo 6,17% ao ano. Agora, sua remuneração passa a ser atrelada à taxa básica de juros do país (a famosa Selic). Sempre que a Selic estiver abaixo de 9%, a poupança passará a remunerar em torno de 70% da Selic. Isso significa que por enquanto as nossas poupanças não mudam; mas no fim deste mês, o Banco Central irá decidir o novo valor da Selic (que hoje está cravado em 9%), e como a tendência é que que eles baixem ainda mais a Selic, já a partir de junho o trabalhador vai ver a remuneração da sua poupança baixar dos atuais 6,17% para 5,95% ao ano - e essa diminuição é só o começo! Uma sensível diferença, cada vez maior a cada nova baixa da Selic, que sairá dos nossos bolsos direto para engordar os lucros dos banqueiros e grandes capitalistas!

Mesmo com a matemática contra eles, o ministro Guido Mantega e a presidenta Dilma ainda têm a cara de pau de dizer que tal medida é "para o bem do trabalhador". O governo diz que a poupança precisa nos pagar menos para que os juros no país continuem a cair. Então agora o grande culpado por termos as maiores taxas de juros do mundo é a nossa humilde poupançazinha?! A ganância dos grandes especuladores não tem culpa? O desespero desse governo entreguista em tirar cada vez mais do que é nosso pra engordar os lucros dos capitalistas com o bolsa-banqueiro, o pagamento da eterna e impagável dívida pública, não tem nada a ver com isso?

Que os grandes empresários e capitalistas apóiem a decisão do governo do PT de tirar do nosso bolso direto pros banqueiros, isso era de se esperar. Mas o que dizer das grandes centrais sindicais (CTB, CUT e Força Sindical), que ao invés de nos representar, vêm a público apoiar a nova regra? Triste é a classe que, ao invés de ser representada por sindicatos combativos, vive a ser traída por um bando de pelegos e oportunistas...

Exemplos como esse só servem para alertar os trabalhadores que o "país de todos" do governo Dilma/PT, cada vez mais, só é "de todos" para dar ao povo migalhas cada vez menores e aos grandes capitalistas lucros cada vez maiores.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A privataria é tucana?

Para um governo como o de Dilma Rousseff, que se elegeu com a promessa de barrar uma nova onda de privatarias da dupla demo-tucanalha, já seria um escândalo o simples fato de ter privatizado três dois mais lucrativos aeroportos do Brasil (Guarulhos, Viracopos e Brasília, leiloados essa semana). Porém, o escândalo maior fica por conta do que virá a seguir: antes mesmo dos leilões, o banco estatal BNDES já anunciara que pretende usar dinheiro público para bancar até 80% dos investimentos a serem realizados nesses aeroportos... Fica então a pergunta no ar: se privatizaram por causa da dita "ineficiência" do Estado, se privatizaram porque "não tem dinheiro", então como se explica que esse mesmo Estado "incapaz" e "sem dinheiro" tenha que bancar quase na totalidade os novos donos dos aeroportos, com empréstimos a juros de mãe pra filho? E como explicar que o comprador do principal desses aeroportos (Guarulhos) seja na maior parte formado por fundos de pensão controlados por gente do governo?

A retórica neoliberal continua hoje tão vazia quanto nos anos 90, com os fatos mostrando que a privatização só se justifica para aumentar os ganhos pessoais dos grandes capitalistas e de seus amigos políticos. Mas se a farsa é a mesma, o que dirá de seus personagens?

Num momento em que os petistas encomendam um livro pra falar da privataria do PSDB nos tempos de FHC, nada mais pertinente observar que, bravatas de lado, o jogo virou. Mudam as cores da privataria. Sai o verde-amarelo tucanalha, entra o cada vez mais desbotado vermelho do PT.

domingo, 26 de junho de 2011

Governo do PT segue privatizando as... Nossas vidas!

Depois de anunciar a privatização dos aeroportos, o governo Dilma agora põe as docas na mira do grande capital. São 45 portos e terminais novos que o governo do PT pretende privatizar país afora. Nada mau para um governo que recém se elegeu acusando o rival de ser "privatista"! Dilma, na verdade, apenas segue os passos de Lula, que a despeito de toda a retórica petista, privatizou rodovias e bacias petrolíferas. O argumento, claro, é o mesmo preferido de FHC: "não tem dinheiro". E as centenas de bilhões que o governo gasta todo ano com o bolsa-banqueiro, nos juros da dívida eterna? E o dinheiro público do BNDES, que banca quase todos os grandes "investimentos privados" do país, especialmente às ex-estatais vendidas (ou melhor, doadas) ao mercado?