segunda-feira, 20 de julho de 2015
Cuba reabre sua embaixada nos EUA!
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
O heroi Snowden e os espiões do Império
quinta-feira, 26 de julho de 2012
James Holmes, um consumidor
Novamente o mundo assiste perplexo a mais um massacre nos Estados Unidos. E, novamente, a sociedade estadunidense chora seus mortos. Nenhuma novidade. Lá são inúmeros os casos de pessoas, aparentemente insuspeitas, que planejaram cuidadosamente cada detalhe de uma chacina e a colocaram em prática com itens encontrados em estabelecimentos comerciais.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Obama no Brasil: o que o "bom moço" quer afinal?
Essa não apareceu nem no rodapé dos jornalões. No mesmo dia em que o Conselho de Segurança das Nações Unidas autorizou, por iniciativa estadunidense, o uso de "todas as medidas necessárias" contra a Líbia, a fim de "proteger os civis líbios" do regime de Muamar Kadafi, no exato mesmo dia, um ataque da força aérea norte-americana em Datta Khel, norte do Paquistão, matou 44 pessoas, todos civis inocentes tachados de "talebans" pelo exército do Império... A covarde e brutal agressão gerou uma onda de revolta em todo o Paquistão, com milhares indo às ruas para gritar frases como "abaixo os EUA" e "amigos dos Estados Unidos são traidores".Kadafi, é claro, tem que cair. Chega de tantos desmandos e de autoritarismo sobre o povo líbio. Mas defender os "direitos humanos" dos líbios é o que menos importa ao Império estadunidense, mais preocupado em garantir todo para si o petróleo líbio, não importando se para isso terá que tomar "todas as medidas necessárias", incluindo aí, por que não, lançar suas marionetes da OTAN à uma guerra de agressão que mate muito mais do que o próprio Kadafi. Muito além daquele velho discurso de "democracia e direitos humanos" que não engana mais ninguém, o valor que o Império dá à vida pode ser contado pelas almas não vingadas de Datta Khel.
O que mudou de Bush para Obama?
Uma semana atrás, Obama ordenou a reabertura dos
"julgamentos" dos prisioneiros do odioso centro de torturas da base de Guantánamo, jogando uma pá de cal na sua promessa de campanha de fechar o centro de detenção criado especialmente por Bush para "processar terroristas" à margem de todas as leis internacionais e convenções de direitos humanos.Vinte meses antes, Obama esteve no Cairo, Egito, propondo em um discurso histórico (sic) um "recomeço nas relações com o mundo árabe." No mesmo discurso, saudou seu "grande amigo", o então presidente egípcio Hosni Mubarak, o mesmo tirano corrupto e autoritário que o povo egípcio tão dificilmente derrubou mês passado, dando a entender que seu "recomeço" nas relações com os muçulmanos não passava de conversa pra camelo ver. As vítimas de Datta Khel, mais uma vez, depõem a respeito no julgamento da História.
E o obsceno "prêmio nobel da paz" concedido pela província imperial da Noruega ao comandante-em-chefe do mesmo exército que se afundava em duas guerras sangrentas no Oriente Médio, concedido a Obama pela simples "promessa" que ele representava, e recebido pelo "presidente do mundo" (o mundo por acaso o elegeu?) com ameaças de mais sangue e guerras. No fundo, o povo de Datta Khel já esperava...
Antes da sua eleição, muitos apostaram nele por acreditar na mudança; seus eleitores não tiveram medo do terrorismo midiático da extrema-direita gringa, que diziam que aquele "preto" acabaria por "trazer o socialismo" aos Estados Unidos, o que na psique ianque equivale a dizer ele faria o reino de Lúcifer na Terra. Elegeram-no mesmo assim. Acreditaram que a "esperança venceria o medo". Hoje podemos dizer que o medo no fim das contas venceu realmente. Alguma semelhança com o que vemos hoje no Brasil, "companheira" Dilma?! Não é à toa que "a mulher do PT" convidou o "negro presidente" para esta visita, ambos se entendem: souberam aglutinar para si o apoio da maior parte do poder econômico de seus países para se alçarem ao governo, lembrando a este mesmo poder que, de tempos em tempos, é preciso que algo mude para que tudo permaneça como está.
América rebelde: o Império tem raiva
Nas reportagens da mídia oficial tupiniquim, uma
certeza: ouviremos mais um "discurso histórico" este fim de semana, desta vez um "recomeço" nas relações do amigo do norte com a América Latina... Eles continuam a pensar que nós "cucarachas" somos otários? Depois do golpe em Honduras, articulado pela embaixada ianque bem no início do mandato do "bom moço"? E o bloqueio contra Cuba, crime de guerra pela Convenção de Genebra contra o qual Obama nada fez? E as sete bases militares na Colômbia, com as quais Obama irá cercar a Amazônia brasileira? Com esse currículo, eles ainda terão a cara de pau de nos dizer na televisão e nos jornalões que Obama vem para nos dar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU? Claro, o Império nada quer com o pré-sal... O que ganha afinal essa nossa "mídia livre" para continuar a repetir com tanta subserviência ladainhas de louvor ao inimigo?Certo mesmo é que o Império continua apostando no Brasil para conter as "más influências" de países como Venezuela e Bolívia (cheia de moral com o patrão, hein "companheira" Dilma?), mas ainda mais certo é que, indepedente do caminho que Dilma escolher, Obama fracassará nesse intento, da mesma forma que Bush. O Império está com raiva: a cada ano que passa, as forças progressistas acumulam força na região e a América Latina escapa cada vez mais aos dedos ianques.
E a Obama, o que nós diremos?
Obama estará no Brasil este fim de semana. Seguiremos o contra-exemplo do Conselho de Segurança, dos vassalos europeus e de tantos tiranos corruptos mundo afora, nos curvando também ao "bom moço" que preside tantas barbáries? Ou teremos a dignidade de indagar o sr. Obama protestando nas ruas com a pergunta que não quer calar: até quando tanto maquiavelismo, tanta hipocrisia, tantos crimes?
sexta-feira, 4 de março de 2011
Luta de classes no coração do capitalismo
Sob o silêncio quase total da grande mídia, a mais de duas semanas servidores públicos do Estado norte-americano de Wisconsin movem uma gigantesca onda de protestos contra um projeto de lei do governador local, que pretende cortar benefícios e destruir o movimento sindical. Por mais que se falem em "modernidades", desde os tempos de Marx é sempre a mesma história: o capitalismo entra em crise, tenta pô-la nas costas dos trabalhadores e estes reagem - e o fazem até mesmo no "primeiro mundo".
Fonte: www.parana-online.com.br
O governador do Estado norte-americano do Wisconsin, Scott Walker, disse que os funcionários públicos estaduais poderão começar a receber notificações de demissão a partir da próxima semana se não for aprovado logo o projeto de lei que elimina o direito à negociação coletiva de contratos de trabalho, o que na prática equivale ao fim do direito de sindicalização.
Segundo o jornal Houston Chronicle, cerca de 70 mil manifestantes continuavam ocupando hoje o centro de Madison, a capital de Wisconsin, para pressionar contra a aprovação desse projeto. É o oitavo dia consecutivo de protestos contra o projeto de Walker, do Partido Republicano, que foi eleito no ano passado.
Toda a bancada do Partido Democrata no Legislativo de Wisconsin deixou o Estado na quinta-feira passada, de modo a negar quórum para a votação desse projeto. A maioria foi para o vizinho Illinois.
A proposta de eliminar o direito à negociação coletiva foi incluída no projeto de Orçamento apresentado por Walker. Os sindicatos dos servidores públicos fizeram a oferta de aceitar cortes em suas pensões e benefícios de saúde em troca da manutenção do direito à sindicalização, mas o governador não aceitou. O projeto de Walker também inclui a autorização para que o governador privatize as usinas de energia elétrica de Wisconsin sem necessidade de licitação.
Segundo a revista local Week, médicos da Universidade de Wisconsin estão dando atestados médicos para os servidores que estão participando dos protestos. A pizzaria local Ian's Pizza recebeu contribuições via internet de simpatizantes em 30 estados norte-americanos e em 14 países, entre eles o Egito.
No Estado de Indiana, os deputados do Partido Democrata também estão negando quórum para a votação de um projeto de lei do governador Mitch Daniels (Partido Republicano), que proíbe uma forma de negociação de contratos coletivos de trabalho pela qual trabalhadores não sindicalizados devem pagar uma comissão de representação ao sindicato.
Segundo o jornal Indianapolis Star, a maioria dos deputados democratas foi para Illinois e alguns seguiram para o Kentucky, Estados cujos governadores são do Partido Democrata. Com isso, eles evitam ser detidos por polícias locais que os enviariam de volta para Indiana.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Tunísia e Egito: considerações sobre a "primavera dos povos" do mundo árabe
Primeira Consideração: o sionismo, o grande capital e o Império saem derrotados.A queda dos regimes autoritários de Hosni Mubarak no Egito e de Zine Ben Ali na Tunísia representa, ainda que parcialmente, uma importante derrota para o sionismo, o grande capital transnacional e o Império norte-americano. O primeiro derrotado foi o capital, por ouvir mais uma vez a sua ladainha do "livre mercado" levar um sonoro "não" das ruas. Até recentemente elogiado pelos "especialistas de mercado" como um obediente seguidor da cartilha neoliberal e "exemplo" de desenvolvimento e prosperidade, a Tunísia foi redimida pela ação de seu próprio povo, que cansou de ouvir calado aos "especialistas" e decidiu mostrar ao mundo a sua própria voz, a voz da verdade dos explorados. A seguir, com a queda do autocrata egípcio, o Império e o sionismo perderam um dos governos mais lacaios das políticas imperiais dos EUA e de Israel na região. O Imperialismo tem agora, ainda que por enquanto, dois aliados a menos no mundo árabe, e a onda ainda segue o seu caminho.
Segunda Consideração: as causas estruturais desta e das próximas revoluções.
Muito além da auto-imolação do jovem tunisiano Mohamed Bouazizi, que se incendiou até a morte em protesto contra o fechamento de seu pequeno comércio de rua e contra a corrupção das autoridades que tentaram suborná-lo, o estopim da crise revolucionária que hoje subverte a realidade do Mundo Árabe tem raízes no desemprego e na crise de escassez de alimentos. Estas, por sua vez, são resultado direto do desenvolvimento do capitalismo e de suas contradições (como o desemprego estrutural tecnológico, a crise "financeira" global de 2008 e a expansão das relações capitalistas ao campo, no chamado agronegócio), mas também resulta da Crise Ambiental e seu impacto direto nas safras agrícolas. Fica assim demonstrado o potencial explosivo que o desenvolvimento simultâneo do "aquecimento global" e das contradições do capitalismo representam. O inevitável aguçamento das crises ambiental e econômica irá fatalmente multiplicar as crises revolucionárias e fará de Egito e Tunísia os laboratórios da História do século XXI, de forma que, contraditoriamente, o crescente sofrimento dos povos do mundo será o mesmo caldo fértil capaz de elevar a consciência política destes povos rumo à sua emancipação, levando-os a enfrentamentos cada vez mais radicais e politizados contra seus opressores mais imediatos, sejam eles "ditaduras" ou "democracias fortes". O "vento da mudança" que hoje se espalha pelos países do mundo árabe pode também ser interpretado como uma repetição da onda anti-neoliberal que varreu a América Latina há uma década, conduzindo ao poder governos progressistas e/ou revolucionários por todo o continente, demonstrando que a chama de contestação contra a injusta ordem global capitalista está longe de se apagar, e na verdade vem reavivando.
Terceira Consideração: o "ocidente" e sua democracia "dois pesos e duas medidas".
Salta aos olhos a hipocrisia dos líderes políticos da Europa e da América do Norte e de seus "formadores de opinião" da grande mídia, quando estes comemoram a chegada da "democracia" nos países árabes. Não eram "livres" até agora pouco esses grandes aliados do "ocidente democrático"? Se não, por que os mandachuvas da ordem global capitalista apoiaram com tanto esmero tais regimes, fechando os olhos por décadas a todos os abusos e violações dos direitos humanos cometidos por seus grandes amigos no oriente médio? Logo no início dos protestos, os grandes "guardiões da liberdade e dos direitos humanos" do ocidente negaram qualquer necessidade de mudança nestes países, inclusive tachando as manifestações populares de "perigosas". Um caso emblemático desse cinimso dos donos do mundo foi proporcionado pelo vice de Obama, Joe Biden, que duas semanas atrás sustentava enfaticamente que Mubarak "não era ditador" e que não deveria renunciar. Agora, porém, que o tirano egípcio é escorraçado pelo seu próprio povo e fica impossível esconder a realidade, o próprio Biden vem a público saudar o "dia histórico" da chegada da "democracia" no Egito... Por mais poder que tenham para falsificar os fatos e manipular a opinião pública, até mesmo os donos do mundo se veem obrigados a reescrever suas verdades quando o povo decide escrever a História.
Quarta Consideração: como qualquer autoritarismo sempre derruba a si mesmo.
As revoluções tunisiana e egípcia evidenciam mais uma vez o quanto os instrumentos de opressão usados por poucos para controlar a maioria facilmente se voltam contra seus próprios arquitetos. Pois o fato é que poucos no mundo faziam idéia do tanto que os povos tunisiano e egípcio odiavam os seus governantes, e talvez estes próprios governantes imaginassem menos ainda. Não fosse toda a censura e a imposição de pensamentos únicos sobre os seus povos, Ben Ali e Mubarak seriam capazes de preceber o verdadeiro estado de espírito de seus governados e realizar "reformas" capazes de perpetuá-los no poder. Mas precisamente porque eram tirânicos e autocráticos, não tiveram a percepção (e provavelmente, muito menos a vontade) de fazê-lo. A grande tragédia de todo governo tirânico e/ou autocrático que existiu ou existirá, seja qual for o tipo de sistema social que ele governa, é que a sua incapacidade de ouvir a voz do povo, sua obssessão em fazer sempre as coisas do seu jeito, e não do jeito que a maioria prefere, faz acumular um descontentamento surdo que, proibido de se expressar, sempre acaba um dia por explodir como numa panela de pressão, onde quanto maior a (o)pressão, mais violento é o estouro, tão logo surja uma válvula de escape. A radicalidade de tal explosão se manifesta numa rejeição sistemática a tudo aquilo que se relaciona com o antigo regime, de forma que todas as realizações do regime destituído, para o "mal" ou para o "bem", passam a ser postas em xeque. É neste ponto específico, e somente neste, que a onda revolucionária do mundo árabe encontra paralelo nos acontecimentos vividos no leste europeu em 1989.
Quinta Consideração: a luta (pode) estar apenas começando.
Embora os povos tunisiano e egípcio tenham vencido uma árdua batalha ao derrubar os tiranos que os oprimiam, a luta por sua emancipação encontra-se apenas nos seus estágios iniciais. Ambos os países vivem hoje uma situação de "processo revolucionário em curso", um momento em que a questão em torno da "grande política", isto é, aquela política que trata e/ou questiona as estruturas da sociedade, se torna mais aberta do que nunca. É um ponto de inflexão que vai definir os rumos do país, podendo (ou não) levar o curso da História a guinadas antes jamais imaginadas. Porém, para trilhar tais rumos, consolidando sua revolução e impedindo que ela morra no nascedouro, é preciso que os povos desses países tenham consciência da necessidade de irem além. É preciso não apenas derrubar governos, mas crias novas formas de governar; não apenas destruir o velho, mas também ter a convicção, a coragem e a organização para construir o novo. Em outras palavras, para seguir avançando, é preciso passar da revolução puramente política para a revolução social. Do contrário, estes povos que hoje iniciam as suas revoluções voltarão a ser tragados pela velha ordem, dessa vez disfarçada de "novo". Este é o risco: muda-se algo para que tudo permaneça como está. Externamente, tais países sofrerão fortes pressões para mantê-los subordinados à ordem capitalista global, denunciando-se na grande mídia e (retaliando-se) nos fóruns econômicos qualquer "irresponsabilidade" ou "loucura" que supostos novos governos revolucionários ousem levar adiante. E internamente, em especial no caso do Egito, há o perigo que os militares, historicamente muito ligados aos interesses dos Estados Unidos, interfiram em qualquer tentativa de se romper com a subordinação egípcia ao sionismo e à dominação do Império.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Considerações sobre o caso WikiLeaks
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Democracia como valor ou como arma?
Em tempos que proliferam manchetes sobre a situação da liberdade de expressão na Venezuela ou de prisioneiros cubanos, curiosamente pouco ou nada se fala da delicada situação da democracia e dos direitos humanos em outros países bem próximos de nós.Olhando mais ao sul, por que se calam os "defensores da democracia" ao invés de denunciarem a situação do conflito colombiano? No mês passado, em uma eleição suspeitíssima onde dois em cada três eleitores não participaram, "se elegeu" presidente o sr. Juán Manuel Santos, chefe de uma família que controla grande parte da mídia colombiana e tem ligações com os crimes do narco-paramilitarismo dominante no país. Santos respresenta a continuidade no poder do grupo do Presidente Álvaro Uribe, que ajudou a fundar o grupo armado de extrema-direita (paramilitar) Autodefesas Unidas da Colômiba (AUC) e é investigado por tráfico de drogas nos EUA. Sob o governo do sr. Uribe, a Colômbia reforçou sua posição de recordista mundial de massacres e assassinatos de estudantes, sindicalistas e opositores em geral. Uribe, Santos e sua turma têm usado a guerra civil contra a guerrilha comunista como pretexto para levar a cabo, de forma impune, uma perseguição atroz contra toda e qualquer oposição, armada ou pacífica, que se oponha de forma mais contundente ao domínio político das oligarquias e dos narcotráfico na Colômbia. Tudo isso com a conivência da grande mídia local, que ajuda o Exército na formação dos "falsos positivos" – quando se assassinam inocentes e/ou dissidentes, para depois "disfarçá-los" de guerrilheiros "mortos em combate". Contribuem para isso os grupos armados paramilitares, aqueles de quem Uribe é patrono, que em tempos de eleição ajudam seus "amigos" na fraude eleitoral e, no resto do tempo, assumem a "tarefa suja" de eliminar os opositores que incomodam seus comparsas no poder do Estado.
Como se chama mesmo aquele regime em que uns poucos homens controlam o Estado, o sistema eleitoral e a imprensa, se valendo do assassinato, de golpes, da fraude e da repressão para se perpetuarem no poder? Com certeza, não é "democracia"!
Diante disso tudo, se pergunta: por que Cuba e Venezuela são as "ditaduras", se dos 59 jornalistas assassinados no mundo só neste ano, nenhum é cubano ou venezuelano? Por que são "ditadores" se nem Chávez nem Raúl Castro se sustentam no poder através de massacres sistemáticos de opositores e pelo dinheiro do narcotráfico? Aí é que entra a questão dos interesses geopolíticos e de classe. Cuba é o país que há mais de 50 anos expropriou os capitalistas abolindo a grande propriedade privada, se chocando de frente com os interesses dos EUA ao representar um perigoso exemplo de soberania e auto-determinação no quintal do Império. Já a Venezuela, desde o início da "revolução bolivariana" de Chávez há dez anos, vem trilhando o mesmo caminho de Cuba. Convém portanto, tanto aos Estados Unidos quanto à grande mídia, enquanto mídia capitalista, tachar os dois países de "ditaduras" que "violam os direitos humanos". Já na Colômbia e em Honduras, a situação se inverte. O primeiro trata-se do principal (senão o último) aliado do Império na América do Sul, servindo de localização para bases militares estadunidenses que não só servem para ameaçar e isolar a "incômoda" Venezuela como até mesmo a Amazônia brasileira! Tudo isso intermediado por um governo corrupto e autoritário, que impõe pelo medo "reformas neoliberais" como as do governo Uribe, que garantem altos lucros para suas oligarquias e mais pobreza para o povo. Já Honduras, possuía antes do golpe um Presidente progressista, próximo à Cuba e Venezuela, que governava para os pobres e feria os interesses dos ricos e poderosos dentro e fora do país, sendo portanto uma ameaça que precisava ser (e foi!) removida.
Assim, não é de estranhar que, por mais violações aos direitos humanos que cometam, os governos de Colômbia e Honduras sejam tachados de "democracias" pelos mesmos grandes poderes que acusam o "outro lado" de ser "ditatorial".
Chega-se então à grande pergunta: interessa realmente ao poder do grande capital, ao Império norte-americano e à grande mídia corporativa, aqui e no exterior, defender a "democracia"? Seriam a "democracia" e os direitos humanos "valores universais" aos capitalistas? Se o são, como isso se compatibiliza com a hierarquia autoritária da empresa capitalista, onde o patrão é o ditador dos chãos de fábrica, dos escritórios e das redações de jornal? Nada mais incoerente, de fato, do que um capitalista defendendo a "democracia"! Isso ajuda a entender os conceitos de ditadura e democracia que os capitalistas defendem. Democracia é para eles onde o poder do grande capital privado nacional e estrangeiro e seus privilégios são "respeitados" à risca, e ditadura é onde ocorre o contrário! Interesse de classe é o que está por trás desses "valores", e a falsificação da opinião pública acerca de quem são os "mocinhos" e os "bandidos" da história é o resultado dessa política!
De fato, uma democracia verdadeira e pleno respeito aos direitos humanos são a última coisa que importam àqueles a quem o lucro está acima de tudo, sejam eles líderes de Impérios ou donos de jornais e revistas. "Democracia" e direitos humanos, da forma estreita e (muito conveniente) que eles as entendem, não passam de um simples pretexto, uma arma, para atacar aqueles que lhes desagradam e ameaçam seus interesses, sua propriedade e seus lucros.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Nobel de Obama: "um mundo maravilhoso"
Patética cena. Na platéia, de mãos dadas, a realeza. Olhos sorridentes, expressão de gozo e aquela serenidade dos saciados. No púlpito, o arrogante soberano do mundo. Recebia o Nobel da Paz e falava da necessidade da guerra. Nada poderia parecer mais cínico. Justificando a postura imperial dos Estados Unidos, Barack Obama insistia na sagrada missão que este país tem de levar a democracia ao mundo, nem que seja sob o fogo grosso. A imposição da “liberdade liberal” a todo custo, com canhões e bombas.
Grotesca cena, assistida por milhões de pessoas no mundo. Os reis, feito cortesãos, aplaudindo o imperador. E este anunciava a decisão de enviar mais tropas ao Afeganistão, mais mortes, mais destruição, mais dizimação da cultura, da vida. E os lambe-botas, assentindo, extasiados, vendo o dono do mundo, no seu terno vistoso, cuspindo balas. “A guerra é fundamental para preservar a paz...” Que o digam os estadunidenses empobrecidos, os que perderam as casas na crise imobiliária, os que ficaram sem emprego por conta da quebradeira de empresas privadas “competitivas”, os que tiveram de ver seu governo investindo um trilhão de dólares para salvar os bancos, enquanto eles mesmos tem de viver em tendas, sem saúde adequada, sem esperança. Que o digam as gentes dos EUA que observam o Nobel da paz gastar dez bilhões de dólares ao ano com a guerra no Iraque, os que vem seus filhos chegar em caixões.
A guerra dos Estados Unidos não é uma missão confiada por deus para levar boa vida às gentes. A guerra é uma imposição do capital que precisa se expandir. Quando a produção é demais e não há quem compre, é necessário criar alguma destruição para que as empresas possam ter a quem vender. Assim, destruir um país parece ser um bom negócio. Não tem nada a ver com democracia, liberdade e outros destes conceitos bonitos que os cínicos usam para enganar os incautos. O capital lambe os beiços e vai se sustentando mais um pouco, construindo países que foram arrasados pelas bombas.
A teologia que move a sede de poder dos Estados Unidos não nasceu agora, não é exclusividade do jovem imperador. Ela vem de longe na história, e nós, na América Latina, já a sentimos na pele desde quando este país decidiu roubar as terras mexicanas no início do século XIX. Desde lá, as doutrinas de guerra vem assolando nossas vidas, com invasões armadas, invenção de governos ditatoriais fantoches, invasões culturais, invasões empresariais. Tudo isso em nome do “deus” dinheiro, tudo em nome do poder.
Ontem, na entrega do cínico Nobel da Paz, o jovem imperador escrachou a doutrina. Sem pejo. “Não há paz sem a guerra!” E os poderosos – defendeu com seu nariz empinado - tem o direito de impor sua vontade ao mundo. Porque tem os canhões. Michele, vestida como uma imperatriz, deu o toque familiar, limpando tal qual uma dona de casa típica, o fato do marido sob os holofotes. A Globo terminou aí sua matéria, com um riso de admiração no rosto de Bonner e Fátima, eles próprios um casal modelo. E, nas casas, as gentes sorriram. “Quão lindo é esse homem, e quê coragem em defender a guerra!” Enquanto isso, lá longe, no Oriente Médio, as bombas seguem caindo, assim como no Afeganistão, em Honduras, na Colômbia. Mas tudo bem, são só luzes. E é natal...
A razão cínica domina o mundo. Já não há disfarces. Mas eu acredito que uma hora dessas, as gentes acordarão e, decididas, dirão: Já basta! Ou isso, ou a barbárie.
(* texto extraído de carosamigos.com.br)
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
O 11 de setembro que o mundo não pode esquecer
Hoje, 11 de setembro, rememora-se algo que nunca deveria ter acontecido, mas uma vez tendo entrado para a História, jamais poderemos permitir que caia no esquecimento. É o aniversário daquele que foi um dos maiores atentados terroristas de que se tem notícia, que completa hoje 36 anos. Foi no dia 11 de setembro de 1973 que, em um golpe de Estado comandado pelo sinistro general Augusto Pinochet, o Chile e o mundo assistiram impotentes à queda do governo constitucional e democraticamente eleito do Presidente Salvador Allende, afogando em um banho de sangue todas as esperanças daqueles que acreditavam em uma transição pacífica para o socialismo e redefinindo o conceito de terrorismo de Estado em nossa América: desde seu início, saltou aos olhos a crueza e a brutalidade desmedida do golpe, em que aviões de guerra bombardearam o palácio presidencial – com o Presidente Allende dentro! Coisa pior viria após o golpe, quando um redefinido Estado chileno – não mais a serviço do povo, mas sim dos setores mais retrógrados e truculentos da direita chilena – não teria o menor pudor em revelar todo o caráter fascista e assassino do novo regime, que se valeria do terror desmedido para defender aqueles velhos privilégios das elites chilenas que o governo de Unidad Popular, ainda que timidamente, estava por ameaçar. Segundo o Prêmio Nobel Gabriel García Marquez, somente nos primeiros meses do regime Pinochet já haviam 30.000 prisioneiros políticos sendo torturados e humilhados nas prisões chilenas, enquanto quase 20.000 pessoas já haviam sido executadas; ganhou fama mundial o fato do Estádio Nacional de Santiago, principal campo de futebol do país, ter sido transformado num campo de concentração e extermínio de prisioneiros políticos. Porém, o pior legado da ditadura civil-militar no Chile, inaugurada com o golpe de 11 de setembro, certamente foram as medidas econômicas adotadas pelo regime de Pinochet, que até então inéditas no mundo, fariam do Chile um laboratório para aquela política que nos anos 80 seria a espinha dorsal dos governos ultradireitistas de Reagan nos EUA e Thatcher na Grã-Bretanha, e que nos anos 90 engoliria o mundo: trata-se do neoliberalismo, que ao privatizar serviços públicos essenciais e submeter por completo o cidadão comum à lógica irracional do mercado sem limites, produziu marcas profundas e nefastas que perduram até hoje no mundo inteiro, em especial no Chile e na América Latina. Também o contra-exemplo da impunidade com relação aos crimes da ditadura chilena reverbera até os dias atuais, quando a sede golpista de militares e das elites inconformadas com o poder popular leva a episódios como o recente golpe que derrubou o presidente eleito de Honduras.
Tudo isso resultou do golpe de Estado chileno de 11 de setembro de 1973, cujo progenitor é mais que conhecido: foram os EUA que instigaram, defenderam e nutriram do começo ao fim o regime de Pinochet e mais dezenas de outras ditaduras que, na América Latina e no mundo inteiro, encontraram e ainda encontram no Império do norte o mais firme aliado na suja tarefa de sufocar e calar a vontade da maioria. E se hoje, mesmo que a censura da grande mídia nos faça desviar as atenções a esse verdadeiro desastre do 11 de setembro, nos fazendo pensar tão somente em outro mais recente, não nos deixemos iludir pela versão da história dos jornalões e fiquemos atentos a essa ironia ácida proporcionada pela História, que como vingando as centenas de milhares de vítimas dos cães de guarda ianques no Chile, provou ao mundo que, se no 11 de setembro deles, também houveram milhares de vítimas inocentes, elas são antes vítimas de seu próprio governo do que de alguns punhados de fanáticos do oriente. Não se pode jamais espalhar a barbárie no mundo sem esperar que essa mesma barbárie não vá, como num efeito típico de ação e reação, respingar de volta sobre si. Essa é a lição maior que, em nome da(s) vítima(s) do(s) 11 de setembro(s), o mundo jamais poderá esquecer.
domingo, 26 de abril de 2009
Anti-esquerdismo e Condicionamento Mental nos EUA
Por Eduardo Grandi - autogoverno@gmail.com
Na primeira delas, de acordo com o instituto Rasmussen, atualmente “somente” 53% dos norte-americanos acreditam que o capitalismo é melhor do que o “socialismo”. Embora apenas 20% vejam o oposto (os outros 27% disseram não ter certeza sobre qual sistema é melhor), o resultado de tal pesquisa traz revelações surpreendentes. Pois se é verdade que 53% da população dos EUA ainda são contra o que vêem como socialismo, é de se destacar que 47% dos cidadãos da nação mais fanaticamente anti-esquerdista do planeta não possuem mais quaisquer ranços ou preconceitos contra a palavra “socialismo”. Mais, de acordo com essa mesma pesquisa, se considerarmos apenas os mais jovens (até 30 anos), os percentuais de favoráveis e de não-contrários ao “socialismo” sobem para respectivamente 33% e 63%! Isso tudo levando em conta que a pesquisa foi realizada por um instituto conhecido por suas posições conservadoras!
Tais números ficam ainda mais incríveis se considerarmos que o resultado obtido nos EUA não ficou muito atrás de pesquisas e votações semelhantes realizadas em outros países, onde em geral o percentual de contrários e favoráveis ao “socialismo” geralmente fica em torno de 50/50. Quase duas décadas depois do fim da Guerra Fria e do “perigo vermelho” (e com ele o fim do antagonismo que associava diretamente o nome “socialismo” ao “inimigo da pátria” estadunidense, a URSS), aos poucos o povo norte-americano vai se libertando das vendas ideológicas que no passado a propaganda de guerra capitalista logrou enraizar tão fortemente na psique da nação mais poderosa do planeta. Assim, livre da lavagem cerebral anticomunista, que por tanto tempo cegou-o à gritante e crescente superexploração a que era submetido no “paraíso dos capitalistas”, o povo norte-americano aos poucos começa a recuperar a sua consciência política. Contribuíram para isso a grave crise econômica atual e o conseqüente “fenômeno Obama”, que também pode produzir desdobramentos interessantes: após a acachapante derrota eleitoral do partido republicano e dos claros sinais de que seu partido preferido sofreu uma queda violenta na sua capacidade de influir na sociedade, a direita raivosa norte-americana vem se sentindo cada vez mais acuada dentro de seu próprio país, enlouquecendo em desespero por ver crescer aos poucos em seu meio, mesmo que timidamente, alguns dos ideais esquerdistas que eles julgavam ter “exorcizado” para sempre com a queda do muro de Berlim, notadamente as idéias em favor de uma maior intervenção do Estado na economia e na proteção social. Já antes mesmo das eleições presidenciais, quando a crise se aguçava e Obama surgia como promessa, o segmento mais extremo do espectro direito da sociedade norte-americana, dos “talibãs do mercado” aos “falcões de guerra” republicanos, foi se deixando tomar por um clima de paranóia que já alcança hoje níveis assombrosos. Não são poucos (e não são pouco influentes) os que acusam Obama de ser um “socialista”, ao mesmo tempo em que inoculam a esta palavra todo tipo de calúnias e adjetivos negativos que se pode imaginar. Mas o que influencia a consciência das pessoas são mais atos do que palavras, e é aí que as coisas ficam interessantes. Pois a tendência é que Barack Obama realize um governo bem melhor para seu povo do que o de Bush Júnior, e assim o veneno da direita norte-americana se volta contra si mesma já que, mesmo muito longe de ser socialista, o governo Obama se identifica cada vez mais com o termo “socialista”, graças à retórica anti-esquerdista de seus cada vez mais aloprados opositores de direita.
As notícias boas ficam no entanto por aí, quando se vê o resultado de outra pesquisa recente, também conduzida pelo instituto Rasmussen: segundo tal pesquisa, 60% dos norte-americanos acreditam que o governo do seu país, em termos relativos um dos menores do mundo em arrecadação de impostos, tem mesmo assim “dinheiro e poder demais”! Tal resultado mostra claramente que ainda há muito a se caminhar para se incutir uma consciência politizada no povo da nação mais poderosa do mundo; mesmo abalado, o ultra-direitismo ainda possui firmes raízes na psique coletiva estadunidense, resultado de um longo e bem-sucedido processo de engenharia social via condicionamento mental levado a cabo pela massiva propaganda midiática dos interesses de classe das classes capitalistas dos EUA. Mais do que isso, tal resultado é uma contradição flagrante com relação à pesquisa anterior, o que não somente atesta o grau de confusão que ainda impera nas mentes da população do Império como também comprova o condicionamento mental a que este povo foi submetido por suas classes dominantes. Pois se os norte-americanos estivessem a pensar por si só, ao invés de repetirem mecanicamente os preconceitos construídos em seus cérebros pela insistente propaganda de classe movida pela mídia capitalista, suas respostas a essas duas pesquisas de opinião não teriam sido tão escandalosamente contraditórias. Somente o pensar próprio, livre das influências de interesses de minorias, é capaz de produzir idéias que se encaixam umas nas outras a fim de se produzir uma visão de mundo clara e objetiva. A mentira repetida incessantemente pode até tornar-se verdade, mas ela jamais será capaz de gerar verdades completas e coerentes, pois o condicionamento mental, especialidade das classes capitalistas, é por definição acrítico e imbecilizante.


